MEU CONTATO COM O INSTITUO LOHAN

MEU CONTATO COM O INSTITUO LOHAN

Primeiramente gostaria de agradecer nosso a mestre Luis Mello e por permitir que nós alunos pudéssemos compartilhar nossas experiências no templo e a história de como conhecemos o Instituto Lohan e de que forma a escola nos mudou.

Meu nome é Sergio Baldin de Oliveira, sou aluno do Instituto Lohan á quase 02(dois) anos. Não sou uma pessoa que gosta de contar muito sobre os problemas que já enfrentei em minha vida falo apenas o que acho que seja relevante. Como já sou membro da escola há algum tempo me sinto confortável para dizer quais foram os motivos que me fizeram a treinar Kung-Fu e porque escolhi ficar no Lohan.

No começo do ano de 2016, estava passando por uma situação complicada no meu ambiente de trabalho tanto eu como alguns colegas sofríamos constantemente assédio moral por parte de um de nossos superiores que gostava de humilhar e nos discriminar. Essa situação me acarretou muitos problemas psicológicos me deixando uma pessoa antipática, impaciente, intolerante, agressivo e sedentário sem querer sair de casa para nada ficando recluso de tudo.

Fui orientado por meus pais a procurar fazer alguma atividade física que pudesse me distrair e até mesmo me ajudar, como já havia praticado durante 01(um) ano Kung-Fu quando criança optei por fazer algo que eu já conhecia e comecei a procurar algumas escolas de artes marciais que ficavam próximo do meu trabalho foi quando vi um cartaz do Instituto Lohan próximo ao metro Liberdade e decidi marcar uma aula experimental.

Ao chegar para fazer aula no INSTITUTO LOHAN fui bem recepcionado não só pelos funcionários como também pelos alunos que me recepcionaram logo de imediato puxando assunto e me orientando em alguns exercícios. Fiz a aula experimental e me senti extremamente melhor não apenas fisicamente mais também mentalmente, após o treino me senti renovado como se os problemas tivessem sumido mesmo que por um instante.

A aula que tive foi tão boa que decidi me matricular por um ano inteiro e assim o fiz me matriculei por um ano e comecei a treinar no INSTITUTO de começo não agüentava muito fazer os treinos, pois eram bem pesados e exigiam força mental e física.

MUDANÇA:
Após algumas messes de treino comecei a perceber algumas mudanças em meu comportamento e algumas mudanças físicas, ao invés de fazer apenas duas aulas de 01(uma) hora durante a semana, comecei a fazer 3(três) aulas às vezes duas seguidas, voltei a ser uma pessoa simpática, paciente, compreensiva e não ficava mais agressivo. Essas mudanças também repercutiram no meu ambiente de trabalho onde fui elogiado por minha paciência e pregar algumas coisas que aprendi no INSTITUTO LOHAN também apreendi a tolerar certas situações.

Com o passar do tempo treinando bastante acabei a praticando não só o Kung-Fu Shaolim, mas também o Wing-Shum outro estilo de arte marcial chinesa que a escola oferece. Quanto mas treino mais resistência física eu ganho atualmente pratico 02(duas) aulas seguidas de uma hora na semana e uma aula de 2(duas) horas aos finais de semana.

O INSTITUTO LOHAN E SEUS MEMBROS:
Aos meus olhos não é apenas uma escola de artes marciais, diferente da maioria das escolas que após o treino vai cada um para o seu lado. O INSTITUTO LOHAN, propaga a algo que poucas escolas tem o chamado sentido da família onde os alunos cuidam um dos outros sempre com respeito, sinceridade e honestidade.

Os alunos mais velhos acolhem os alunos mais novos como irmãos e pelo que sempre vejo nas aulas é sempre o aluno mais experiente dividindo seus conhecimentos com os mais novos e os corrigindo quando necessário.

Lá conheci grandes pessoas de diferentes opiniões, diferentes religiões, diferentes países, cada um o qual tive o prazer de conhecer me ensinou o significado da amizade, lealdade, honestidade e o que é ser uma família.
Nossos irmãos mais velhos são nossos monitores estão ao lado de nosso mestre, eles nos guiam e repassam seus conhecimentos sanando nossas duvidas e nos corrigindo quando necessário para aperfeiçoamos nosso Kung-Fu.

O SHIFU

Como toda família o Instituto Lohan tem um patriarca no caso nosso Shifu que tem como significado de (mestre para toda vida). Nosso mestre Luis Mello é o responsável por essa incrível família que é o Lohan, além das aulas praticas que temos no dia-a-dia temos também a parte teórica onde ele senta conosco e nos tira algumas duvidas que temos sobre os exercícios praticados e nos ensina sobre o surgimento do Kung-Fu Shaolim e de que forma essa arte se propagou no mundo.

Nosso mestre nos passa seus conhecimentos de forma simples e de maneira eficaz, pois uma fez que aprendemos não esquecemos, é sempre simpático com todos seus discípulos e alunos ele os conhece um por um quando pode. Cada aula que temos e nos ensina sempre uma maneira de agir e sempre nos corrige para que possamos fazer certo as técnicas e exercícios e para que assim possamos dar continuidade a seu legado.

AGRADECIMENTO.
Atualmente estou para completar 02(dois) anos no INSTITUTO LOHAN e só tenho a agradecer pelo tempo maravilho que tive durante todo esse tempo e as pessoas incríveis que conheci pretendo continuar por mais um bom tempo na escola ao lado dos meus irmãos de treino e do nosso mestre.
A todos que cederam seu tempo para ler este depoimento muito obrigado.

Amituofó

Kung Fu e o Templo – Por que encontrei o Lohan

Templo Lohan – Velha Guarda – Praça da Liberdade

Meu nome é Marcelo Trincado e vou contar um pouco por que as coisas acontecem do jeito que devem acontecer para nós (apesar de as vezes não vermos isso)

Minha história com atividades físicas começam quase desde que nasci. Por necessidade e não por opção. Com 1 e 1/2 anos comecei a nadar e isso durou mais de 10 anos. Nesse tempo participei de muitas competições locais até nacionais. Com 11 anos não queria mais ter o estresse de treinamentos de competições, não era meu perfil, não gosto de perder e não gosto de ganhar.

Depois de 2 ano em casa sem treinar nada, minhã querida mãe me fez escolher uma outra atividade. Sempre gostei dos filmes do Bruce Lee, mas nunca havia pensado em fazer Kung Fu, naquele tempo, não havia internet para nos dar informações fáceis. Gostava muito dos filmes de luta, não pela luta, mas pelos valores. O herói luta contra o mal, contra a tirania, contra a injustiça. Na época, havia acabado de assistir na TV um filme que chama “Best of the Best” (acabei de ver na internet que é de 1989) e tratava-se de combates entre estilos de artes marciais em um campeonato entre EUA e Coréia do Sul. Na ultima luta, com os EUA precisando da vitória, o lutador de Tae Kwon Do americano tem a vitória nas mãos e perde propositalmente pois o lutador Coreano estava sem condições de combate, o americano acha mais nobre perder do que finalizar o seu adversário. Então, aos 14 anos, foi o que procurei e comecei a treinar Tae Kwon Do – ITF.

Foram 4 anos de treino e muitos campeonatos, que não gostava de ir, mas era dito que quem não participava não respeitava seu mestre e seu local de treino, então mais uma vez voltei as competições. Ganhei umas, perdi outras, mas continuava sem gostar da coisa.

Aos 18 anos parei para a faculdade de Educação Física, onde por fim, encerrei meu contato com a arte coreana e para não ficar sem treinar nada comecei a aprender capoeira. Não tive nenhum mestre formal, e nem treinava com dedicação, pois a maior parte do tempo era para trabalho e estudos.

Templo Lohan – Ensinamentos da Monja Sinceridade no Templo Zu Lai

Com a volta a vida aos 23, queria treinar artes marciais de novo. Mas, com mais facilidade de informações, decidi voltar a ideia original, Kung Fu. Nessa época tinha um amigo que era instrutor em uma escola. Por 3 vezes me levou para assistir uma apresentação. Por 3 vezes senti que não era algo verdadeiro. Boa técnica, muita velocidade, bonito de ver….mas o professor abandonou a sua aula e a sua turma para agradar e impressionar um potencial aluno novo. Não gostei. E também não queria treinar estilo de animais, sempre achei que ser humano deveria ter um estilo de ser humano (um pensamento juvenil).

Aos 24 anos, esse mesmo amigo instrutor, passou por uma academia na Liberdade e me levou um folder. Fui visitar em uma sexta-feira depois do meu horário de serviço. Ninguém parou para falar comigo direito, quase não haviam alunos (Eram somente 4), ninguém me falou do estilo. Só assisti uma aula completa do banco de madeira da entrada. Tudo fazia sentido. As imagens budistas, os armeiros, a construção chinesa, a dedicação do mestre e dos alunos. Na segunda seguinte fiz minha matrícula. Isso em 2004.

Em outro momento contarei como foi meu primeiro contato com o Sifu Luis Mello, o título será “Quando o entregador virou meu mestre”.

Por 4 ou 5 anos me dediquei o máximo nos treinos. Praticamente a semana toda, com treinos de média de 4 horas, entre Qi Gong e Shaolin, e após o treino, aprendíamos histórias, curiosidades, ensinamentos budistas e de Kung Fu. Sempre deixávamos o espaço como recebemos, limpo e organizado. Durante esse tempo, nunca fui obrigado a nada, e sempre que tinha necessidade de qualquer coisa como apresentações, gravações, transportar materiais, indiferente dos horários e dias da semana, sempre fiz com a maior satisfação.

Treinamento sempre foi duro. Lembro que as vezes, mais fortes do que temos hoje em dia. Shifu Luis nunca aceitou com tranquilidade, quem se dedicava com frouxidão. Kung Fu não é moleza, a vida não é moleza, se não conseguir colocar o Kung Fu na sua vida, passará a vida toda se sujeitando e fazendo tudo de forma preguiçosa e incompleta. O que fazíamos, não tinha que ser bom, tinha que ser perfeito. Se não aprendia no “amor” aprenderia com a “dor”. Suor e sangue faziam parte de alguns dias de treino, fadiga e desmaios, faziam parte de outros, mas não havia um dia, que não saíamos do templo Lohan sem a satisfação de termos feito o melhor.

Com o tempo minhas participações foram diminuindo devido as escolhas de vida como emprego, relacionamentos, atividades e estudo. Mas o Kung Fu que aprendi com o Shifu Luis nunca saiu da minha vida. Hoje sou um aluno esporádico que treina pouco por ter que cuidar de uma pequena (3>4 meses, com minha esposa que também treinava no Lohan), mas assim que tiver idade, estaremos os dois treinando juntos (ou os 3).

Tem muitas outras histórias do Lohan para contar. Mas essa, foi de como as coisas acontecem na minha vida do jeito que tinha que acontecer. Subconscientemente procuramos aquilo que precisamos. Eu precisava de disciplina, dedicação, confiança e respeito, e consegui isso no local que me ofereceu.

A família começou pequena (quando entrei tinham somente 4 alunos) e hoje está grande (mais de 100), mas o mais importante não é a quantidade de irmãos e irmãs, mas em saber que dentro do templo, somos todos iguais e queremos as mesmas coisas, o que não se vê nem nas famílias biológicas hoje em dia.

Templo Lohan – Apresentação Ano Novo Chinês no Templo Zu Lai

Iluminação a todos(as).

O Lohan na minha vida

Quando cheguei no Instituto Lohan cheguei procurando um lugar para me desenvolver como ser humano, um lugar para aperfeiçoar o que já sabia e aprender aquilo que ainda não sabia.

Foi uma grata surpresa achar no Instituto Lohan aquilo que eu achava o mundo tinha perdido, respeito, educação, honra e integridade são ,entre outras qualidades, os pilares fundamentais do Lohan. Soube nesse momento que tinha escolhido o lugar certo e que desde aquele momento a minha vida nunca mais seria a mesma.

Sendo estrangeiro o fato do Shifu Luis Mello ter me aceitado como aluno representa uma honra máxima, a felicidade depois de cada treino, as conversas antes e depois das aulas, todos e cada uma dos meus irmãos da Família Lohan hoje representam uma parte muito importante da minha vida o único que posso falar é: obrigado, obrigado pelos ensinamentos, pelo conhecimento, obrigado por me permitir vivenciar esse mundo fantástico que é o Kung-Fu.

Amituofo !

Cuando llegue al Instituto Lohan llegue buscando un lugar para desarrolarme como ser humano, un lugar para perfeccionar lo que ya sabia y aprender aquello que todavia no sabia.

Fue una grata sorpresa encontrar en el Instituto Lohan aquello que yo creia el mundo habia perdido, respeto, educacion, honor e integridad son, entre otras cualidades, son los pilares fundamentales del Instituto Lohan. Supe en ese momento que habia elegido el lugar correcto y que desde aquel momento mi vida nunca seria la misma.

Siendo extranjero el hecho de el Shifu Luis Mello haberme aceptado como alumno representa una honra maxima, la felicidad despues de cada entrenamiento, las charlas antes y despues de cada clase, todos y cada uno de mis hermanos de la familia Lohan hoy dia representan una parte muy importante de mi vida, lo unico que puedo decir es: gracias, gracias por las ensenãnzas, por el conocimiento, gracias por permitirme vivir ese mundo fantastico que es el Kung-Fu.

Amituofo !

When I arrived to Lohan Institute I arrived looking for a place to develop myself as a human being, to improve what I already knew and to learn what I still didn’t know.

It was a great surprise to find in Lohan Institute that what I thought the world has lost, respect, education, honour and integrity are, among other qualities, the corner stones of Lohan Institute. At that moment I knew that I had chosen the right place and that since that moment my life wasn’t going to be the same anymore.

As a foreigner the fact that Shifu Luis Mello accepted me as a student represent the maximum honour, the happiness after every training session, the talks before and after every class,  every single one of my brothers from The Lohan Family nowadays  represent a very important part of my life, the only think I can say is: Thanks, thanks for the teachings, for the knowledge, thanks for allowing me to live this amazing world that Kung-Fu is.

Amituofo !

DISCÍPULO MAURICIO VERGNANO

Como Cheguei ao Lohan

Primeiramente agradeço ao Mestre Luis Mello, nosso Shifu do Instituto Lohan, por ter me honrado com o convite para estar entre os primeiros a inaugurar o blog dos alunos. Convite este que quase recusei por hora, por ser, talvez, um dos mais novos alunos atualmente, com um pouco mais de três meses de prática, então, logo, não estaria em posição de escrever algo adequado. Entretanto, pensei que talvez possa ser interessante registrar como cheguei ao Instituto, e minha perspectiva do mesmo como budista praticante há pouco mais de um ano, até então.

Já havia visto na internet algo sobre o Lohan em 2015, nas minhas primeiras pesquisas sobre o budismo, sobre a linhagem chan/zen e sua história decorrente do Monastério Shaolin. Achei interessante o conteúdo, porém, julgando pelas apresentações teatrais nas aparições na TV, achei que não era um grupo sério, ou então que não seria acessível, em diversos níveis. Então, certo dia, mais ou menos, na metade do já passado ano de 2017, estava numa tarde no templo sotozen Busshinji, costurando meu rakusu, quando me ocorreu a necessidade de ir atrás de um caixa eletrônico. Uma colega disse que o mais próximo seria na Avenida Conselheiro Furtado, virando à esquerda de onde eu ia, andando alguns quarteirões. Jamais vim a encontrar meu banco naquela rua, mas avistei, na calçada oposta, o Templo Lohan, pela primeira vez. Então me ocorreu: Acho que estão falando sério.

Alguns meses mais tarde, tendo acabado de conseguir meu primeiro emprego, saindo do escritório de RH na São Joaquim, fui procurar o Instituto Lohan, pois, com a minha nova rotina, seria impossível manter a minha prática regular de zazen, e já estava sentindo muita falta de uma atividade física interessante (o que, para mim, significa arte marcial). Marquei minha primeira aula na sede no instituto, que seria ministrada no templo, sábado de manhã, no dia em que eu começaria no trabalho. Esta é provável que seja uma diferença com relação a alguns colegas: Eu não estava procurando uma boa escola de kung fu, wing chun, ou as demais modalidades – isto eu achei por acaso. Eu procurava um local adequado para dar a continuidade a prática zen, a escola de budismo na qual eu me encontrei, após alguns estudos e alguma insistência de prática na tradição Gelugpa, tibetana.

Isto é interessante de ser colocado pois, em três meses de treino, eu observei e ouvi histórias de algumas pessoas que não souberam se adequar à escola, que não entenderam a postura do Shifu. Talvez os falte bagagem teórica, ou experiência de vida; vivência em academia de arte marcial (eu já tendo praticado em meios diferentes, outras artes, vi com normalidade a primeira aula), ou, conforme nos transmitiu Lama Michel Rinpoche, simplesmente algumas pessoas não tem méritos para entender determinados tipos de ensinamento, reconhecer certos tipos de mestre; ao que se diz, não tem afinidade cármica. Isto, na minha opinião, reflete o quanto o Lohan é especial; o quão é diferente o que fazemos lá do que é feito em uma escola normal de wushu. Reflete, obviamente, o nosso despreparo cultural enquanto sociedade, para entender o que seria na prática adaptar as tradições milenares do kung-fu original ao nosso contexto; sem mimetismos ou deturpações, com naturalidade, espontaneidade.

Mantendo viva a tradição shaolin, o mestre não está lá para manter você na sua zona de conforto, com discursos motivacionais, adulações, sorrisos sociais… Os grandes mestres estão lá para mostrar o que está errado em você; para tirar de você o melhor desempenho, e depois o melhor ainda. O mestre verdadeiro não está lá para ter paciência com o erro, mas sim para mostrar o erro ao aluno, e fazer, este sim, cultivar paciência e retificar o erro. Em resumo, o mestre não vai a aula cultivar, para o benefício próprio, a própria virtude; o mestre vai fazer o melhor para que com que o aluno cultive as dele. É outro paradigma de atitude, que muitos ocidentais, mesmo os que se querem budistas, custam a entender; o que remete muito ao que conta a famosa Monja Coen em suas palestras; que levou nove anos para reconhecer verdadeiramente as virtudes de sua mestre, a abadessa de seu convento em Nagoya, devido ao seu próprio ego, por esta ser uma mestra de poucas palavras. Porém, aqueles que passam algum tempo extra com o Shifu e os alunos mais antigos, em alguma atividade especial, que eventualmente acontece no templo, conhece o lado bem humorado, compreensivo e amigável do mestre, em um contexto distinto da prática marcial. No final, é tudo uma questão de saber ler e realizar o comportamento adequando a cada momento da vida.

Por fim, relato que em virtude dos métodos praticados Instituto Lohan, em três meses de treino tive um ganho muscular sem precedentes para o período, sinto uma grande paz e um novo nível de profundidade de compreensão do dharma de Buda desde que tive o primeiro contato com o budismo; me sinto muito bem vindo, acolhido como membro desta grande família de kung fu, como nunca senti em qualquer outro coletivo, e tenho vivido estes dias com consciência de que são os melhores dias da minha vida, e que dias ainda melhores virão. E eu convido a todos que gostariam de entender melhor a profundidade do kung fu ancestral, e principalmente aqueles que acreditam não estarem a altura disso, a virem praticar conosco e ter a sua própria experiência neste meio hábil do caminho silencioso, que não pode ser colocado em palavras.

Com profunda gratidão e reverência ao mestre e colegas,

Leandro Koller,
São Paulo, 08 de janeiro de 2018.

Um relato sobre o Lohan

Treino Kung fu desde 1990 e dou aulas desde 2008 e sempre tive o sonho de conhecer o verdadeiro Shaolin Kung Fu, já planejava uma viagem ate Buenos Aires para isso, ate que no ano de 2015 o Shifu Luis anunciou o curso de formação e a vinda de venerável Shideyang ao Brasil, fiquei extasiado com a noticia e me preparei para conferir a veracidade da mesma. Viajei a São Paulo e pude ver que não era só o que eu esperava, mais muito mais do que isso, não se tratava de ensinamentos de técnicas Shaolin somente, mais muito mais do que isso, uma abordagem real da vivencia no templo , além de medicina, caligrafia, pintura,etc.
Bom, hoje além das dificuldades, já que viajo 18 horas para chegar ao Templo, me sinto em casa, não tenho palavras pra expressar a minha satisfação e contentamento cada vez que coloco meus pês no Templo Lohan, e tenho muito orgulho de treinar ao lado de pessoas comprometidas e sempre te ajudando a crescer e conhecer cada vez mais fundo essa maravilhosa arte marcial chinesa.
Enfim só estando la e experimentando os treinamentos eh que você sabe-a exatamente o que estou falando , venha fazer parte dessa família você também!

Kung Fu Para iniciantes

É preciso dizer muitas coisas sobre o Instituto Lohan para os iniciantes.

Quando eu comecei no Lohan, já tinha alguma experiência em artes marciais, principalmente na parte tradicional. Mas sentia e buscava algo a mais. E ao terminar uma aula intensa com o Shifu tive uma luz: o treino que tinha acabado de fazer continha todos os elementos essenciais para a evolução que eu almejava em artes marciais. Seria uma questão de esforço pessoal melhorar em cada aspecto, que haviam sido visitados com diligência e atenção pelo Shifu. Aquela aula era uma referência que a minha pouca experiência já percebia como muito valiosa. Digo isso porque é importante lembrar que o kung fu tem sua origem em tempos antigos, sem as amenidades e sem a correria do mundo moderno – quando os praticantes treinavam (e em alguns lugares ainda treinam) horas a fio. E, para buscar um simples copo d’água, talvez você tivesse que carregar baldes de cinco ou dez quilos por um quilômetro ou mais, para poder satisfazer essa sua necessidade tão básica. Então um ditado do Templo Shaolin diz: “primeiro fortaleça o corpo, depois desenvolva a mente”. Então não vamos viajar na maionese não, o mais importante agora no início é a sua conduta ética, seu respeito para com o Shifu e com seus colegas e sua coragem.

E o treino físico?

Tudo começa com a respiração. É a primeira ação de um recém-nascido. A última ação de um homem na terra. A prática Tradicional do kung fu está baseada na respiração, e exercícios focados nesse aspecto são chamados Qi Gong. O corpo se estica e se flexiona, causando tensão e relaxamento em partes específicas do corpo. Não é nem alongamento nem fortalecimento. É tudo isso aliado a um profundo estado de atenção ao presente momento, ao seu corpo. Para alguns pode demorar um pouco, mas o suor profuso virá com essa prática. A língua no céu de boca, a coluna toda ereta, a respiração profunda pelo nariz indo até a profundidade do abdômen. A quatro dedos abaixo da cicatriz do umbigo, temos um centro de energia chamado Tan Dian, de onde nasce o Qi, a energia vital que corre ao longo do seu corpo e será ativado durante todo o seu treinamento de kung fu. Você vai respirar até esse ponto, e logo o Qi vai correr pelo seu corpo como um fluido invisível, mas tão real quanto seus pensamentos e seus sentimentos fluem pela sua mente, durante o treino. Mantenha o foco na pratica externa enquanto isso acontece. Em artes marciais deve-se estar sempre atento ao seu ambiente, ao que está acontecendo ao seu redor. Isso evita muitos acidentes.

Se nossa energia nasce do abdômen, melhor fortalecê-lo não é mesmo? Fazer abdominais é essencial para qualquer atleta, e quem busca o kung fu sabe que o kung fu é muito mais que um esporte: então melhor já resolver a parte esportiva e condicionar-se fisicamente não é mesmo? Tocar os pés com os dedos da mão, agarrar os joelhos e tocar os cotovelos nos joelhos sãos os abdominais básicos. Todo mundo já ouviu falar do equilíbrio entre yin e yang, baseado na filosofia taoista que deu origem ao kung fu. Vamos colocar isso em prática: para equilibrar com um abdômen sarado, a postura de ponte dorsal fortalece a região da coluna lombar, mais conhecida como região das costas. Assim essas musculaturas vão trabalhar juntas para equilibrar seu corpo durante a prática. É uma postura básica do kung fu.

Dizem que o kung fu começa com um soco. Para um soco ser forte você precisa fazer flexões de braço. Se eu for falar de todos os tipos de flexão que o Shifu já ensinou, esse texto ficará muito longo. O importante é fazer. Cada iniciante vai ao seu limite, mas tem que se esforçar: repetições, fazer lento, fazer rápido, com os punhos, e até mesmo aquela flexão que você nunca consegue fazer, tente. É necessário. A flexão de braço mais simples é aquela em que as mãos ficam ao nível dos ombros, nem acima nem abaixo, e a um palmo do tronco, nas laterais.

Já ouviu dizer que o cão é o melhor amigo do homem? O cavalo, ou mais precisamente a postura do cavaleiro e o melhor companheiro do praticante de kung fu. Se for bem treinado, quando tudo falhar, ele estará lá para te ajudar, acredite. É a base de onde saem todos os movimentos. Fortaleça as pernas na postura do cavalo!

Todo mundo fica impressionado com as demonstrações de flexibilidade dos monges Shaolin. Um feito admirável sem dúvida. Então qual será segredo? O kung fu não é aquela rotina chata de academia em que a aula sempre começa com alongamento, mas o alongamento é parte essencial do treinamento. Lembre-se que o kung fu teve influência de formas primitivas da yoga indiana, então aproveite o momento do alongamento para descobrir seu corpo, onde ele é mais duro, onde é mais flexível e como tudo isso se encaixa e forma o seu corpo; como seus hábitos influenciam seu corpo? Controle seu corpo e descubra até onde você consegue ir. Geralmente fazemos repetições de mais ou menos trinta vezes em cada posição, mas isso pode aumentar com o tempo e outra estratégia é segurar trinta segundos na posição de maior alongamento ao final de cada exercício.

E finalmente mas tão essencial quanto os outros, a meditação. Pôde-se iniciar com respirações profundas, olhos fechados e mãos à frente do rosto. Depois a instrução budista não deixa dúvidas: sentado de pernas cruzadas, coluna ereta, queixo para dentro, língua no céu da boca, olhos semicerrados, olhar a quarenta e cinco graus, respiração abdominal focada no tan dian, mão esquerda sobre a direita. Nessa posição imóvel o importante é focar no momento presente e na respiração: iniciar inspirando naturalmente e expirando por um segundo. Na próxima respiração, expirar dois segundos. E vai progredindo até, ou se conseguir expirar durante dez segundos. Caso perder a contagem ou chegar a dez, retomar o início com a expiração de um segundo e recomece o ciclo. Se esforce para não deixar seus pensamentos atrapalharem o exercício. Assista a seus próprios pensamentos e sentimentos e tente não reagir, apenas retome o exercício.

Existe outro aspecto fundamental, mas que eu particularmente também tenho dificuldade. Baseado em tudo o que já foi dito, o kung fu (e principalmente o kung fu shaolin) é uma expressão do espírito por meio do corpo: expressar seus sentimentos e sua energia nos movimentos é fundamental. Entretanto, quem não se sente desanimado de vez em quanto? Tristeza, cansaço, medo, raiva… até os nossos desejos podem confundir nossa mente e qualquer emoção em excesso pode fazer-nos perder o foco –  sem foco não há nada. Lute contra tudo isso.

Vá ao treino e imprima sua expressão: mas lembre-se que isso é feito em nome da tradição!

Ética. Respiração. Alongamento. Abdominal. Ponte. Flexão de braço. Meditação. O caminho das pedras está aí, não é fácil, mas é para quem quer uma boa aventura!

E há muito por vir: formas, calejamento, aplicações, combate combinado, combate livre, armas…treine e verá.

Um grande abraço!

Vicente Faggion, Shixiong – Irmão mais velho
Vicente Faggion, Shixiong – Irmão mais velho

O Kung Fu além da técnica

Meu nome é Marcos Nogaroli e sou um iniciante na prática do Kung Fu, embora minha paixão venha de anos e anos atrás, quando era criança. Paixão essa, despertada ao assistir aos filmes de Jackie Chan e Jet Li. Achava os movimentos e técnicas espetaculares, e sonhava um dia aprender a fazer aqueles movimentos sofisticados para derrubar inimigos. Durante minha adolescência, continuei a admirar o Kung Fu, sempre atraído pelas técnicas ímpares, os variados estilos, e movimentos que não se vê em outras artes marciais. Sempre achei aquilo incrível.

Em meados dos anos 2000, me deparei com o canal do Instituto Lohan no YouTube e ao assistir apenas um vídeo me senti encantado. Vi ali o diferente do diferente. Já havia assistido vídeos de outras academias. O treinamento era sempre semelhante. Bom, mas semelhante. Uniformes coloridos, faixas coloridas, um tatame no chão, e o treino de formas sendo executado, muito bonito, sob a tutela de um Mestre igualmente vestido de uniforme colorido.

No Instituto Lohan vi tudo diferente, não haviam faixas, o uniforme era preto e branco, o Mestre era um homem grande, de barba longa e roupas tradicionais chinesas, o treinamento era diferente de tudo que eu vira até então. Era duro, difícil. Eu não sabia explicar, não era bonito, mas era espetacular. Eu via a expressão no rosto dos praticantes. Expressões fechadas, concentradas, e um treinamento como nunca havia visto antes. Achei aquilo demais! E embora na época diversos fatores me impedissem de ir até lá, na mesma hora pensei “um dia quero treinar ali!”.

Os anos passaram, e eu continuei a sempre acompanhar o Instituto Lohan na internet. Até que em 2015 meu sonho teve a oportunidade de ser realizado. Como já acompanhava o Shifu Luis Mello no Facebook, vi que ele abriu o Curso de Formação Shaolin, e achei aquilo espetacular! Conversei com o Shifu sobre o curso e tive a grande oportunidade de realizar meu sonho!

Ao chegar cedo no primeiro dia, vi pessoas que eu admirava dos vídeos de anos e anos atrás, e tudo naquele local, o Templo Lohan, me encantou. E ao decorrer do dia, enquanto auxiliava outros praticantes na manutenção do Templo, fui percebendo algo totalmente diferente, algo que eu não pensei durante anos e anos em que via apenas vídeos: O Kung Fu além da técnica.

O modo como os praticantes reverenciavam um ao outro. O cuidado com que faziam tudo ali dentro. A forma com que manipulavam os itens do altar do Templo, a forma como limpavam o chão. Tudo era feito com cuidado, com método. No mesmo dia conheci pessoalmente o Shifu Luis Mello e entendi melhor aquilo tudo. Ele mencionou sobre como os praticantes deviam se portar, sobre o respeito mútuo, sobre hierarquia. Aquilo me impressionou de verdade.

Conforme os dias de treinamento iam ocorrendo pude perceber cada vez mais isso. E, no final do ano, pude realizar meu grande sonho, de me tornar oficialmente discípulo do Shifu Luis Mello! Houve também a incrível chegada do Venerável Shifu Shi De Yang, e durante o treinamento com ele, pude fortalecer meu conhecimento sobre como o Kung Fu é muito mais sobre como se portar no dia a dia, em absolutamente tudo o que você faz, do que apenas sobre técnicas de combate.

Já tive a oportunidade de realizar diversos treinamentos no Templo Lohan, como o Curso de Formação Shaolin, o treinamento intensivo com Shifu Shi De Yang, o curso de Palma de Ferro, curso de Qi Gong e o curso de Medicina Tradicional Chinesa, e todas as vezes, sem exceção, aprendo mais e mais com o Shifu Luis Mello e com meus irmãos de treino sobre como o Kung Fu está em tudo o que se faz, e está muito além da técnica.

Amituofo!
Marcos Nogaroli