Kung Fu e o Templo – Por que encontrei o Lohan

Templo Lohan – Velha Guarda – Praça da Liberdade

Meu nome é Marcelo Trincado e vou contar um pouco por que as coisas acontecem do jeito que devem acontecer para nós (apesar de as vezes não vermos isso)

Minha história com atividades físicas começam quase desde que nasci. Por necessidade e não por opção. Com 1 e 1/2 anos comecei a nadar e isso durou mais de 10 anos. Nesse tempo participei de muitas competições locais até nacionais. Com 11 anos não queria mais ter o estresse de treinamentos de competições, não era meu perfil, não gosto de perder e não gosto de ganhar.

Depois de 2 ano em casa sem treinar nada, minhã querida mãe me fez escolher uma outra atividade. Sempre gostei dos filmes do Bruce Lee, mas nunca havia pensado em fazer Kung Fu, naquele tempo, não havia internet para nos dar informações fáceis. Gostava muito dos filmes de luta, não pela luta, mas pelos valores. O herói luta contra o mal, contra a tirania, contra a injustiça. Na época, havia acabado de assistir na TV um filme que chama “Best of the Best” (acabei de ver na internet que é de 1989) e tratava-se de combates entre estilos de artes marciais em um campeonato entre EUA e Coréia do Sul. Na ultima luta, com os EUA precisando da vitória, o lutador de Tae Kwon Do americano tem a vitória nas mãos e perde propositalmente pois o lutador Coreano estava sem condições de combate, o americano acha mais nobre perder do que finalizar o seu adversário. Então, aos 14 anos, foi o que procurei e comecei a treinar Tae Kwon Do – ITF.

Foram 4 anos de treino e muitos campeonatos, que não gostava de ir, mas era dito que quem não participava não respeitava seu mestre e seu local de treino, então mais uma vez voltei as competições. Ganhei umas, perdi outras, mas continuava sem gostar da coisa.

Aos 18 anos parei para a faculdade de Educação Física, onde por fim, encerrei meu contato com a arte coreana e para não ficar sem treinar nada comecei a aprender capoeira. Não tive nenhum mestre formal, e nem treinava com dedicação, pois a maior parte do tempo era para trabalho e estudos.

Templo Lohan – Ensinamentos da Monja Sinceridade no Templo Zu Lai

Com a volta a vida aos 23, queria treinar artes marciais de novo. Mas, com mais facilidade de informações, decidi voltar a ideia original, Kung Fu. Nessa época tinha um amigo que era instrutor em uma escola. Por 3 vezes me levou para assistir uma apresentação. Por 3 vezes senti que não era algo verdadeiro. Boa técnica, muita velocidade, bonito de ver….mas o professor abandonou a sua aula e a sua turma para agradar e impressionar um potencial aluno novo. Não gostei. E também não queria treinar estilo de animais, sempre achei que ser humano deveria ter um estilo de ser humano (um pensamento juvenil).

Aos 24 anos, esse mesmo amigo instrutor, passou por uma academia na Liberdade e me levou um folder. Fui visitar em uma sexta-feira depois do meu horário de serviço. Ninguém parou para falar comigo direito, quase não haviam alunos (Eram somente 4), ninguém me falou do estilo. Só assisti uma aula completa do banco de madeira da entrada. Tudo fazia sentido. As imagens budistas, os armeiros, a construção chinesa, a dedicação do mestre e dos alunos. Na segunda seguinte fiz minha matrícula. Isso em 2004.

Em outro momento contarei como foi meu primeiro contato com o Sifu Luis Mello, o título será “Quando o entregador virou meu mestre”.

Por 4 ou 5 anos me dediquei o máximo nos treinos. Praticamente a semana toda, com treinos de média de 4 horas, entre Qi Gong e Shaolin, e após o treino, aprendíamos histórias, curiosidades, ensinamentos budistas e de Kung Fu. Sempre deixávamos o espaço como recebemos, limpo e organizado. Durante esse tempo, nunca fui obrigado a nada, e sempre que tinha necessidade de qualquer coisa como apresentações, gravações, transportar materiais, indiferente dos horários e dias da semana, sempre fiz com a maior satisfação.

Treinamento sempre foi duro. Lembro que as vezes, mais fortes do que temos hoje em dia. Shifu Luis nunca aceitou com tranquilidade, quem se dedicava com frouxidão. Kung Fu não é moleza, a vida não é moleza, se não conseguir colocar o Kung Fu na sua vida, passará a vida toda se sujeitando e fazendo tudo de forma preguiçosa e incompleta. O que fazíamos, não tinha que ser bom, tinha que ser perfeito. Se não aprendia no “amor” aprenderia com a “dor”. Suor e sangue faziam parte de alguns dias de treino, fadiga e desmaios, faziam parte de outros, mas não havia um dia, que não saíamos do templo Lohan sem a satisfação de termos feito o melhor.

Com o tempo minhas participações foram diminuindo devido as escolhas de vida como emprego, relacionamentos, atividades e estudo. Mas o Kung Fu que aprendi com o Shifu Luis nunca saiu da minha vida. Hoje sou um aluno esporádico que treina pouco por ter que cuidar de uma pequena (3>4 meses, com minha esposa que também treinava no Lohan), mas assim que tiver idade, estaremos os dois treinando juntos (ou os 3).

Tem muitas outras histórias do Lohan para contar. Mas essa, foi de como as coisas acontecem na minha vida do jeito que tinha que acontecer. Subconscientemente procuramos aquilo que precisamos. Eu precisava de disciplina, dedicação, confiança e respeito, e consegui isso no local que me ofereceu.

A família começou pequena (quando entrei tinham somente 4 alunos) e hoje está grande (mais de 100), mas o mais importante não é a quantidade de irmãos e irmãs, mas em saber que dentro do templo, somos todos iguais e queremos as mesmas coisas, o que não se vê nem nas famílias biológicas hoje em dia.

Templo Lohan – Apresentação Ano Novo Chinês no Templo Zu Lai

Iluminação a todos(as).

O Kung Fu além da técnica

Meu nome é Marcos Nogaroli e sou um iniciante na prática do Kung Fu, embora minha paixão venha de anos e anos atrás, quando era criança. Paixão essa, despertada ao assistir aos filmes de Jackie Chan e Jet Li. Achava os movimentos e técnicas espetaculares, e sonhava um dia aprender a fazer aqueles movimentos sofisticados para derrubar inimigos. Durante minha adolescência, continuei a admirar o Kung Fu, sempre atraído pelas técnicas ímpares, os variados estilos, e movimentos que não se vê em outras artes marciais. Sempre achei aquilo incrível.

Em meados dos anos 2000, me deparei com o canal do Instituto Lohan no YouTube e ao assistir apenas um vídeo me senti encantado. Vi ali o diferente do diferente. Já havia assistido vídeos de outras academias. O treinamento era sempre semelhante. Bom, mas semelhante. Uniformes coloridos, faixas coloridas, um tatame no chão, e o treino de formas sendo executado, muito bonito, sob a tutela de um Mestre igualmente vestido de uniforme colorido.

No Instituto Lohan vi tudo diferente, não haviam faixas, o uniforme era preto e branco, o Mestre era um homem grande, de barba longa e roupas tradicionais chinesas, o treinamento era diferente de tudo que eu vira até então. Era duro, difícil. Eu não sabia explicar, não era bonito, mas era espetacular. Eu via a expressão no rosto dos praticantes. Expressões fechadas, concentradas, e um treinamento como nunca havia visto antes. Achei aquilo demais! E embora na época diversos fatores me impedissem de ir até lá, na mesma hora pensei “um dia quero treinar ali!”.

Os anos passaram, e eu continuei a sempre acompanhar o Instituto Lohan na internet. Até que em 2015 meu sonho teve a oportunidade de ser realizado. Como já acompanhava o Shifu Luis Mello no Facebook, vi que ele abriu o Curso de Formação Shaolin, e achei aquilo espetacular! Conversei com o Shifu sobre o curso e tive a grande oportunidade de realizar meu sonho!

Ao chegar cedo no primeiro dia, vi pessoas que eu admirava dos vídeos de anos e anos atrás, e tudo naquele local, o Templo Lohan, me encantou. E ao decorrer do dia, enquanto auxiliava outros praticantes na manutenção do Templo, fui percebendo algo totalmente diferente, algo que eu não pensei durante anos e anos em que via apenas vídeos: O Kung Fu além da técnica.

O modo como os praticantes reverenciavam um ao outro. O cuidado com que faziam tudo ali dentro. A forma com que manipulavam os itens do altar do Templo, a forma como limpavam o chão. Tudo era feito com cuidado, com método. No mesmo dia conheci pessoalmente o Shifu Luis Mello e entendi melhor aquilo tudo. Ele mencionou sobre como os praticantes deviam se portar, sobre o respeito mútuo, sobre hierarquia. Aquilo me impressionou de verdade.

Conforme os dias de treinamento iam ocorrendo pude perceber cada vez mais isso. E, no final do ano, pude realizar meu grande sonho, de me tornar oficialmente discípulo do Shifu Luis Mello! Houve também a incrível chegada do Venerável Shifu Shi De Yang, e durante o treinamento com ele, pude fortalecer meu conhecimento sobre como o Kung Fu é muito mais sobre como se portar no dia a dia, em absolutamente tudo o que você faz, do que apenas sobre técnicas de combate.

Já tive a oportunidade de realizar diversos treinamentos no Templo Lohan, como o Curso de Formação Shaolin, o treinamento intensivo com Shifu Shi De Yang, o curso de Palma de Ferro, curso de Qi Gong e o curso de Medicina Tradicional Chinesa, e todas as vezes, sem exceção, aprendo mais e mais com o Shifu Luis Mello e com meus irmãos de treino sobre como o Kung Fu está em tudo o que se faz, e está muito além da técnica.

Amituofo!
Marcos Nogaroli

 

Como Iniciei no Instituto Lohan

O ano de 2017 foi um tanto quanto conturbado para mim. Graças a Deus, eu estava empregado, pagando minhas contas em dia, com saúde e uma família linda, porém a empresa na qual trabalho estava infelizmente passando por profundas alterações organizacionais. Por motivos que não vêm ao caso detalhar, mas creio que muitos irão se identificar, cheguei num ponto onde percebi que não conseguiria mais seguir adiante contando apenas comigo mesmo e com a ajuda de amigos e familiares. Isso já começava a afetar tanto minha vida pessoal quanto profissional. Busquei ajuda e comecei então a fazer terapia e a tomar antidepressivos com acompanhamento médico.

A terapia me ajudou a me conhecer melhor, e a medicação, mesmo que, a meu ver, de forma “artificial”, me ajudou a ter forças para seguir adiante. Não foi um caminho fácil, além do quê nunca gostei de depender de medicamentos. Mas hoje, digo que foi um “mal” necessário.

Quando comecei a melhorar, eu já tinha para mim a convicção de que, apesar de tudo isso ter me ajudado, eu não queria continuar dependendo de terapia e de medicação por muito tempo. Foi quando então decidi que deveria procurar por alguma forma de distração onde poderia focar e canalizar minhas energias.

O que logo me surgiu como idéia, foi voltar a praticar artes marciais, algo pelo qual sempre tive alguma forma de atração, quer através de filmes ou pela prática em si. Quando criança, já havia praticado Judô e quando jovem, já havia passado também pelo Karatê, Aikido e Iaido, os quais, infelizmente, por motivos pessoais e profissionais, acabei abandonando.

Eu não queria ter aquela sensação de “recomeço”, mas sim de tentar algo novo. Mesmo  assim, naquele momento, imaginei que o Iaido seria uma boa opção.

Eu havia treinado Iaido na época em que praticava Aikido. Um sensei de Iaido começou a frequentar o dojô e resolveram então oferecer o Iaido como aulas adicionais para os alunos mais avançados de Aikido.

Como eu não havia praticado Iaido por muito tempo e me identifico bastante com a necessidade de disciplina, atenção aos detalhes, concentração e repetição exaustiva dos movimentos que a prática requer, resolvi tentar dar uma segunda chance e comecei a procurar um local para treinar.

A questão é que o Iaido não é uma arte muito comum e, aqui no Brasil, pelo que sei, não existem muitos lugares para se treinar. Mas graças à nossa “amiga” Internet, acabei encontrando uma academia de Kendô que supostamente também oferecia a prática de Iaido.

Fui então conhecer o local.  O mestre (de Kendô), um japonês daqueles bem sisudos e tradicionais veio conversar comigo. Quando expliquei que gostaria de voltar a treinar Iaido, ele logo de cara já me respondeu algo como (não vou lembrar exatamente as palavras): “Tem algumas pessoas aqui que treinam, mas não é bom. Iaido é apenas uma pequena parte do Kendô. Quem treina Kendô tira de letra o Iaido. Iaido é muito específico e muito limitado. Você está vendo esse pessoal aí que está treinando de armadura?  Treinaram por muito tempo até chegar aí e poder utilizar essas vestes e equipamentos. E isso treinando três, quatro vezes por semana no mínimo.”

Além de ter praticado artes marciais japonesas por vários anos, eu também já havia trabalhado alguns outros bons anos numa multinacional japonesa, e então entendo perfeitamente que esta forma de agir é meio que tradicional da cultura japonesa, principalmente vindo de pessoas com mais idade.

Porém, minha pretensão não era me tornar um mestre, mesmo porque a dedicação que isto exigiria seria incompatível com minha disponibilidade de tempo (que por muitas vezes, sei muito bem eu, poderia ser um tanto quanto inconstante frente à minha realidade profissional) e minha vida pessoal, como pai de família. Junte-se a isto a questão da idade, vi que a expectativa não seria condizente com minha realidade. Me dedicaria com certeza sim, mas de acordo com o melhor que eu poderia fazer, para me sentir bem comigo mesmo e não para tentar atingir algo que eu mesmo não almejava.

Aproveitei o curto tempo que eu estive lá para dar uma olhada na aula de Kendô que estava em andamento. Senti uma certa “maldade” em alguns dos praticantes, querendo medir forças e se mostrar “melhor” que os outros.

Percepção errada ou não, o fato é que não me senti bem-vindo ou no mínimo à vontade naquele local.

Eu estava todo empolgado me preparando para “tirar a poeira” da minha katana e do meu hakama, quando recebo esse “balde de água fria na cabeça”.

Fiquei realmente desanimado.

Passado algum tempo, e meio que recuperado do “baque”, voltei novamente a procurar alguma alternativa. Não queria uma arte marcial muito voltada para contato e combate competitivo, tal como Jiu-Jitsu, Muay-Thai ou MMA. Apesar de admirar, elas não se encaixam muito no que eu estava procurando.

Foi então que mais uma vez com a ajuda da nossa “amiga” Internet acabei “descobrindo” (como se eu nunca tivesse ouvido falar… 🙂 ) o Kung-Fu, e por tabela, o Instituto Lohan.

No Lohan, foi totalmente diferente. No dia que eu compareci para participar da aula experimental, fui muito bem recebido, tanto pelos alunos quanto pelo instrutor (o Junior) que estavam no Instituto naquele momento. Apenas por este aparentemente “simples” fato, já me senti como “parte da casa”. Isso inclusive foi um dos pontos que lembro do Shifu ter comentado durante um dos treinos, da importância de se receber bem os novos alunos. Não precisa de muita coisa. Só o fato de alguém vir conversar, se mostrar interessado em suas perspectivas ou simplesmente cumprimentar, já faz uma grande diferença. No final da aula, o Shifu já havia chegado e tirou algumas dúvidas adicionais que eu tinha. Fiz a matrícula no mesmo dia.

É legal esse ponto do Lohan, onde o Shifu não dá nenhuma informação antes que o pretendente a aluno faça uma aula experimental. Como as percepções são pessoais, julgo ser isto muito importante, pois permite que a pessoa tire suas próprias conclusões e sinta se aquilo é realmente ou não o que ela espera.

Após estes poucos de meses de prática, devo confessar que algumas vezes tomei alguns “sustos” :-). As aulas são variadas. Às vezes se treina mais as formas, às vezes se dá mais ênfase a treinamento de “combate” ou com “sparring”. Às vezes os treinos são mais leves e às vezes mais pesados. Alguns pontos realmente me agradam, mas algumas vezes, outros nem tanto.

Principalmente no início, devido à algumas aulas, eu voltava para casa dolorido e com alguns hematomas. Na grande maioria das vezes, não especificamente por causa de um ou outro golpe mais forte (que eventualmente também ocorrem), mas sim por causa da repetição contínua de algum exercício ou forma.  Junte-se a isto a falta de prática e experiência, julgo ser um tanto quanto inevitável que tais fatos possam ocorrer eventualmente algumas vezes.

A aula experimental como já mencionei anteriormente, é, a meu ver, muito importe, mas uma percepção mais completa só será possível através de uma prática mais extensa e contínua. Nesta perspectiva, julgo que tive “sorte” com minha aula inicial experimental, pois o que foi treinado me agradou logo de cara. Talvez se eu tivesse tido o “azar” de ter participado de uma aula um pouco mais “pesada”, com ênfase mais no “combate” e/ou técnicas mais “contundentes” talvez minha percepção inicial, quem sabe equivocada, poderia ter sido outra.

De um modo geral, julgo que minha experiência no Instituto Lohan tem sido muito positiva. Além de ter me ajudado a sair do quadro depressivo, tenho me sentido muito mais disposto e principalmente satisfeito com os novos conhecimentos que tenho adquirido e que posso levar para além do Instituto e praticar no meu dia-a-dia.  

A vida não é feita apenas de flores e caminhos retos e planos, mas principalmente de muitas pedras e caminhos tortuosos pela jornada. Enfrentá-los, contorná-los ou simplesmente deixar-se levar, é decisão de cada um. São as intempéries da vida que te fazem crescer como indivíduo e tornar-se uma pessoa cada vez mais forte. Para mim, este é o verdadeiro significado do Kung-Fu.

Amituofo!