MEU CONTATO COM O INSTITUO LOHAN

MEU CONTATO COM O INSTITUO LOHAN

Primeiramente gostaria de agradecer nosso a mestre Luis Mello e por permitir que nós alunos pudéssemos compartilhar nossas experiências no templo e a história de como conhecemos o Instituto Lohan e de que forma a escola nos mudou.

Meu nome é Sergio Baldin de Oliveira, sou aluno do Instituto Lohan á quase 02(dois) anos. Não sou uma pessoa que gosta de contar muito sobre os problemas que já enfrentei em minha vida falo apenas o que acho que seja relevante. Como já sou membro da escola há algum tempo me sinto confortável para dizer quais foram os motivos que me fizeram a treinar Kung-Fu e porque escolhi ficar no Lohan.

No começo do ano de 2016, estava passando por uma situação complicada no meu ambiente de trabalho tanto eu como alguns colegas sofríamos constantemente assédio moral por parte de um de nossos superiores que gostava de humilhar e nos discriminar. Essa situação me acarretou muitos problemas psicológicos me deixando uma pessoa antipática, impaciente, intolerante, agressivo e sedentário sem querer sair de casa para nada ficando recluso de tudo.

Fui orientado por meus pais a procurar fazer alguma atividade física que pudesse me distrair e até mesmo me ajudar, como já havia praticado durante 01(um) ano Kung-Fu quando criança optei por fazer algo que eu já conhecia e comecei a procurar algumas escolas de artes marciais que ficavam próximo do meu trabalho foi quando vi um cartaz do Instituto Lohan próximo ao metro Liberdade e decidi marcar uma aula experimental.

Ao chegar para fazer aula no INSTITUTO LOHAN fui bem recepcionado não só pelos funcionários como também pelos alunos que me recepcionaram logo de imediato puxando assunto e me orientando em alguns exercícios. Fiz a aula experimental e me senti extremamente melhor não apenas fisicamente mais também mentalmente, após o treino me senti renovado como se os problemas tivessem sumido mesmo que por um instante.

A aula que tive foi tão boa que decidi me matricular por um ano inteiro e assim o fiz me matriculei por um ano e comecei a treinar no INSTITUTO de começo não agüentava muito fazer os treinos, pois eram bem pesados e exigiam força mental e física.

MUDANÇA:
Após algumas messes de treino comecei a perceber algumas mudanças em meu comportamento e algumas mudanças físicas, ao invés de fazer apenas duas aulas de 01(uma) hora durante a semana, comecei a fazer 3(três) aulas às vezes duas seguidas, voltei a ser uma pessoa simpática, paciente, compreensiva e não ficava mais agressivo. Essas mudanças também repercutiram no meu ambiente de trabalho onde fui elogiado por minha paciência e pregar algumas coisas que aprendi no INSTITUTO LOHAN também apreendi a tolerar certas situações.

Com o passar do tempo treinando bastante acabei a praticando não só o Kung-Fu Shaolim, mas também o Wing-Shum outro estilo de arte marcial chinesa que a escola oferece. Quanto mas treino mais resistência física eu ganho atualmente pratico 02(duas) aulas seguidas de uma hora na semana e uma aula de 2(duas) horas aos finais de semana.

O INSTITUTO LOHAN E SEUS MEMBROS:
Aos meus olhos não é apenas uma escola de artes marciais, diferente da maioria das escolas que após o treino vai cada um para o seu lado. O INSTITUTO LOHAN, propaga a algo que poucas escolas tem o chamado sentido da família onde os alunos cuidam um dos outros sempre com respeito, sinceridade e honestidade.

Os alunos mais velhos acolhem os alunos mais novos como irmãos e pelo que sempre vejo nas aulas é sempre o aluno mais experiente dividindo seus conhecimentos com os mais novos e os corrigindo quando necessário.

Lá conheci grandes pessoas de diferentes opiniões, diferentes religiões, diferentes países, cada um o qual tive o prazer de conhecer me ensinou o significado da amizade, lealdade, honestidade e o que é ser uma família.
Nossos irmãos mais velhos são nossos monitores estão ao lado de nosso mestre, eles nos guiam e repassam seus conhecimentos sanando nossas duvidas e nos corrigindo quando necessário para aperfeiçoamos nosso Kung-Fu.

O SHIFU

Como toda família o Instituto Lohan tem um patriarca no caso nosso Shifu que tem como significado de (mestre para toda vida). Nosso mestre Luis Mello é o responsável por essa incrível família que é o Lohan, além das aulas praticas que temos no dia-a-dia temos também a parte teórica onde ele senta conosco e nos tira algumas duvidas que temos sobre os exercícios praticados e nos ensina sobre o surgimento do Kung-Fu Shaolim e de que forma essa arte se propagou no mundo.

Nosso mestre nos passa seus conhecimentos de forma simples e de maneira eficaz, pois uma fez que aprendemos não esquecemos, é sempre simpático com todos seus discípulos e alunos ele os conhece um por um quando pode. Cada aula que temos e nos ensina sempre uma maneira de agir e sempre nos corrige para que possamos fazer certo as técnicas e exercícios e para que assim possamos dar continuidade a seu legado.

AGRADECIMENTO.
Atualmente estou para completar 02(dois) anos no INSTITUTO LOHAN e só tenho a agradecer pelo tempo maravilho que tive durante todo esse tempo e as pessoas incríveis que conheci pretendo continuar por mais um bom tempo na escola ao lado dos meus irmãos de treino e do nosso mestre.
A todos que cederam seu tempo para ler este depoimento muito obrigado.

Amituofó

Kung Fu e o Templo – Por que encontrei o Lohan

Templo Lohan – Velha Guarda – Praça da Liberdade

Meu nome é Marcelo Trincado e vou contar um pouco por que as coisas acontecem do jeito que devem acontecer para nós (apesar de as vezes não vermos isso)

Minha história com atividades físicas começam quase desde que nasci. Por necessidade e não por opção. Com 1 e 1/2 anos comecei a nadar e isso durou mais de 10 anos. Nesse tempo participei de muitas competições locais até nacionais. Com 11 anos não queria mais ter o estresse de treinamentos de competições, não era meu perfil, não gosto de perder e não gosto de ganhar.

Depois de 2 ano em casa sem treinar nada, minhã querida mãe me fez escolher uma outra atividade. Sempre gostei dos filmes do Bruce Lee, mas nunca havia pensado em fazer Kung Fu, naquele tempo, não havia internet para nos dar informações fáceis. Gostava muito dos filmes de luta, não pela luta, mas pelos valores. O herói luta contra o mal, contra a tirania, contra a injustiça. Na época, havia acabado de assistir na TV um filme que chama “Best of the Best” (acabei de ver na internet que é de 1989) e tratava-se de combates entre estilos de artes marciais em um campeonato entre EUA e Coréia do Sul. Na ultima luta, com os EUA precisando da vitória, o lutador de Tae Kwon Do americano tem a vitória nas mãos e perde propositalmente pois o lutador Coreano estava sem condições de combate, o americano acha mais nobre perder do que finalizar o seu adversário. Então, aos 14 anos, foi o que procurei e comecei a treinar Tae Kwon Do – ITF.

Foram 4 anos de treino e muitos campeonatos, que não gostava de ir, mas era dito que quem não participava não respeitava seu mestre e seu local de treino, então mais uma vez voltei as competições. Ganhei umas, perdi outras, mas continuava sem gostar da coisa.

Aos 18 anos parei para a faculdade de Educação Física, onde por fim, encerrei meu contato com a arte coreana e para não ficar sem treinar nada comecei a aprender capoeira. Não tive nenhum mestre formal, e nem treinava com dedicação, pois a maior parte do tempo era para trabalho e estudos.

Templo Lohan – Ensinamentos da Monja Sinceridade no Templo Zu Lai

Com a volta a vida aos 23, queria treinar artes marciais de novo. Mas, com mais facilidade de informações, decidi voltar a ideia original, Kung Fu. Nessa época tinha um amigo que era instrutor em uma escola. Por 3 vezes me levou para assistir uma apresentação. Por 3 vezes senti que não era algo verdadeiro. Boa técnica, muita velocidade, bonito de ver….mas o professor abandonou a sua aula e a sua turma para agradar e impressionar um potencial aluno novo. Não gostei. E também não queria treinar estilo de animais, sempre achei que ser humano deveria ter um estilo de ser humano (um pensamento juvenil).

Aos 24 anos, esse mesmo amigo instrutor, passou por uma academia na Liberdade e me levou um folder. Fui visitar em uma sexta-feira depois do meu horário de serviço. Ninguém parou para falar comigo direito, quase não haviam alunos (Eram somente 4), ninguém me falou do estilo. Só assisti uma aula completa do banco de madeira da entrada. Tudo fazia sentido. As imagens budistas, os armeiros, a construção chinesa, a dedicação do mestre e dos alunos. Na segunda seguinte fiz minha matrícula. Isso em 2004.

Em outro momento contarei como foi meu primeiro contato com o Sifu Luis Mello, o título será “Quando o entregador virou meu mestre”.

Por 4 ou 5 anos me dediquei o máximo nos treinos. Praticamente a semana toda, com treinos de média de 4 horas, entre Qi Gong e Shaolin, e após o treino, aprendíamos histórias, curiosidades, ensinamentos budistas e de Kung Fu. Sempre deixávamos o espaço como recebemos, limpo e organizado. Durante esse tempo, nunca fui obrigado a nada, e sempre que tinha necessidade de qualquer coisa como apresentações, gravações, transportar materiais, indiferente dos horários e dias da semana, sempre fiz com a maior satisfação.

Treinamento sempre foi duro. Lembro que as vezes, mais fortes do que temos hoje em dia. Shifu Luis nunca aceitou com tranquilidade, quem se dedicava com frouxidão. Kung Fu não é moleza, a vida não é moleza, se não conseguir colocar o Kung Fu na sua vida, passará a vida toda se sujeitando e fazendo tudo de forma preguiçosa e incompleta. O que fazíamos, não tinha que ser bom, tinha que ser perfeito. Se não aprendia no “amor” aprenderia com a “dor”. Suor e sangue faziam parte de alguns dias de treino, fadiga e desmaios, faziam parte de outros, mas não havia um dia, que não saíamos do templo Lohan sem a satisfação de termos feito o melhor.

Com o tempo minhas participações foram diminuindo devido as escolhas de vida como emprego, relacionamentos, atividades e estudo. Mas o Kung Fu que aprendi com o Shifu Luis nunca saiu da minha vida. Hoje sou um aluno esporádico que treina pouco por ter que cuidar de uma pequena (3>4 meses, com minha esposa que também treinava no Lohan), mas assim que tiver idade, estaremos os dois treinando juntos (ou os 3).

Tem muitas outras histórias do Lohan para contar. Mas essa, foi de como as coisas acontecem na minha vida do jeito que tinha que acontecer. Subconscientemente procuramos aquilo que precisamos. Eu precisava de disciplina, dedicação, confiança e respeito, e consegui isso no local que me ofereceu.

A família começou pequena (quando entrei tinham somente 4 alunos) e hoje está grande (mais de 100), mas o mais importante não é a quantidade de irmãos e irmãs, mas em saber que dentro do templo, somos todos iguais e queremos as mesmas coisas, o que não se vê nem nas famílias biológicas hoje em dia.

Templo Lohan – Apresentação Ano Novo Chinês no Templo Zu Lai

Iluminação a todos(as).

O Lohan na minha vida

Quando cheguei no Instituto Lohan cheguei procurando um lugar para me desenvolver como ser humano, um lugar para aperfeiçoar o que já sabia e aprender aquilo que ainda não sabia.

Foi uma grata surpresa achar no Instituto Lohan aquilo que eu achava o mundo tinha perdido, respeito, educação, honra e integridade são ,entre outras qualidades, os pilares fundamentais do Lohan. Soube nesse momento que tinha escolhido o lugar certo e que desde aquele momento a minha vida nunca mais seria a mesma.

Sendo estrangeiro o fato do Shifu Luis Mello ter me aceitado como aluno representa uma honra máxima, a felicidade depois de cada treino, as conversas antes e depois das aulas, todos e cada uma dos meus irmãos da Família Lohan hoje representam uma parte muito importante da minha vida o único que posso falar é: obrigado, obrigado pelos ensinamentos, pelo conhecimento, obrigado por me permitir vivenciar esse mundo fantástico que é o Kung-Fu.

Amituofo !

Cuando llegue al Instituto Lohan llegue buscando un lugar para desarrolarme como ser humano, un lugar para perfeccionar lo que ya sabia y aprender aquello que todavia no sabia.

Fue una grata sorpresa encontrar en el Instituto Lohan aquello que yo creia el mundo habia perdido, respeto, educacion, honor e integridad son, entre otras cualidades, son los pilares fundamentales del Instituto Lohan. Supe en ese momento que habia elegido el lugar correcto y que desde aquel momento mi vida nunca seria la misma.

Siendo extranjero el hecho de el Shifu Luis Mello haberme aceptado como alumno representa una honra maxima, la felicidad despues de cada entrenamiento, las charlas antes y despues de cada clase, todos y cada uno de mis hermanos de la familia Lohan hoy dia representan una parte muy importante de mi vida, lo unico que puedo decir es: gracias, gracias por las ensenãnzas, por el conocimiento, gracias por permitirme vivir ese mundo fantastico que es el Kung-Fu.

Amituofo !

When I arrived to Lohan Institute I arrived looking for a place to develop myself as a human being, to improve what I already knew and to learn what I still didn’t know.

It was a great surprise to find in Lohan Institute that what I thought the world has lost, respect, education, honour and integrity are, among other qualities, the corner stones of Lohan Institute. At that moment I knew that I had chosen the right place and that since that moment my life wasn’t going to be the same anymore.

As a foreigner the fact that Shifu Luis Mello accepted me as a student represent the maximum honour, the happiness after every training session, the talks before and after every class,  every single one of my brothers from The Lohan Family nowadays  represent a very important part of my life, the only think I can say is: Thanks, thanks for the teachings, for the knowledge, thanks for allowing me to live this amazing world that Kung-Fu is.

Amituofo !

DISCÍPULO MAURICIO VERGNANO

Como Cheguei ao Lohan

Primeiramente agradeço ao Mestre Luis Mello, nosso Shifu do Instituto Lohan, por ter me honrado com o convite para estar entre os primeiros a inaugurar o blog dos alunos. Convite este que quase recusei por hora, por ser, talvez, um dos mais novos alunos atualmente, com um pouco mais de três meses de prática, então, logo, não estaria em posição de escrever algo adequado. Entretanto, pensei que talvez possa ser interessante registrar como cheguei ao Instituto, e minha perspectiva do mesmo como budista praticante há pouco mais de um ano, até então.

Já havia visto na internet algo sobre o Lohan em 2015, nas minhas primeiras pesquisas sobre o budismo, sobre a linhagem chan/zen e sua história decorrente do Monastério Shaolin. Achei interessante o conteúdo, porém, julgando pelas apresentações teatrais nas aparições na TV, achei que não era um grupo sério, ou então que não seria acessível, em diversos níveis. Então, certo dia, mais ou menos, na metade do já passado ano de 2017, estava numa tarde no templo sotozen Busshinji, costurando meu rakusu, quando me ocorreu a necessidade de ir atrás de um caixa eletrônico. Uma colega disse que o mais próximo seria na Avenida Conselheiro Furtado, virando à esquerda de onde eu ia, andando alguns quarteirões. Jamais vim a encontrar meu banco naquela rua, mas avistei, na calçada oposta, o Templo Lohan, pela primeira vez. Então me ocorreu: Acho que estão falando sério.

Alguns meses mais tarde, tendo acabado de conseguir meu primeiro emprego, saindo do escritório de RH na São Joaquim, fui procurar o Instituto Lohan, pois, com a minha nova rotina, seria impossível manter a minha prática regular de zazen, e já estava sentindo muita falta de uma atividade física interessante (o que, para mim, significa arte marcial). Marquei minha primeira aula na sede no instituto, que seria ministrada no templo, sábado de manhã, no dia em que eu começaria no trabalho. Esta é provável que seja uma diferença com relação a alguns colegas: Eu não estava procurando uma boa escola de kung fu, wing chun, ou as demais modalidades – isto eu achei por acaso. Eu procurava um local adequado para dar a continuidade a prática zen, a escola de budismo na qual eu me encontrei, após alguns estudos e alguma insistência de prática na tradição Gelugpa, tibetana.

Isto é interessante de ser colocado pois, em três meses de treino, eu observei e ouvi histórias de algumas pessoas que não souberam se adequar à escola, que não entenderam a postura do Shifu. Talvez os falte bagagem teórica, ou experiência de vida; vivência em academia de arte marcial (eu já tendo praticado em meios diferentes, outras artes, vi com normalidade a primeira aula), ou, conforme nos transmitiu Lama Michel Rinpoche, simplesmente algumas pessoas não tem méritos para entender determinados tipos de ensinamento, reconhecer certos tipos de mestre; ao que se diz, não tem afinidade cármica. Isto, na minha opinião, reflete o quanto o Lohan é especial; o quão é diferente o que fazemos lá do que é feito em uma escola normal de wushu. Reflete, obviamente, o nosso despreparo cultural enquanto sociedade, para entender o que seria na prática adaptar as tradições milenares do kung-fu original ao nosso contexto; sem mimetismos ou deturpações, com naturalidade, espontaneidade.

Mantendo viva a tradição shaolin, o mestre não está lá para manter você na sua zona de conforto, com discursos motivacionais, adulações, sorrisos sociais… Os grandes mestres estão lá para mostrar o que está errado em você; para tirar de você o melhor desempenho, e depois o melhor ainda. O mestre verdadeiro não está lá para ter paciência com o erro, mas sim para mostrar o erro ao aluno, e fazer, este sim, cultivar paciência e retificar o erro. Em resumo, o mestre não vai a aula cultivar, para o benefício próprio, a própria virtude; o mestre vai fazer o melhor para que com que o aluno cultive as dele. É outro paradigma de atitude, que muitos ocidentais, mesmo os que se querem budistas, custam a entender; o que remete muito ao que conta a famosa Monja Coen em suas palestras; que levou nove anos para reconhecer verdadeiramente as virtudes de sua mestre, a abadessa de seu convento em Nagoya, devido ao seu próprio ego, por esta ser uma mestra de poucas palavras. Porém, aqueles que passam algum tempo extra com o Shifu e os alunos mais antigos, em alguma atividade especial, que eventualmente acontece no templo, conhece o lado bem humorado, compreensivo e amigável do mestre, em um contexto distinto da prática marcial. No final, é tudo uma questão de saber ler e realizar o comportamento adequando a cada momento da vida.

Por fim, relato que em virtude dos métodos praticados Instituto Lohan, em três meses de treino tive um ganho muscular sem precedentes para o período, sinto uma grande paz e um novo nível de profundidade de compreensão do dharma de Buda desde que tive o primeiro contato com o budismo; me sinto muito bem vindo, acolhido como membro desta grande família de kung fu, como nunca senti em qualquer outro coletivo, e tenho vivido estes dias com consciência de que são os melhores dias da minha vida, e que dias ainda melhores virão. E eu convido a todos que gostariam de entender melhor a profundidade do kung fu ancestral, e principalmente aqueles que acreditam não estarem a altura disso, a virem praticar conosco e ter a sua própria experiência neste meio hábil do caminho silencioso, que não pode ser colocado em palavras.

Com profunda gratidão e reverência ao mestre e colegas,

Leandro Koller,
São Paulo, 08 de janeiro de 2018.

O Kung Fu além da técnica

Meu nome é Marcos Nogaroli e sou um iniciante na prática do Kung Fu, embora minha paixão venha de anos e anos atrás, quando era criança. Paixão essa, despertada ao assistir aos filmes de Jackie Chan e Jet Li. Achava os movimentos e técnicas espetaculares, e sonhava um dia aprender a fazer aqueles movimentos sofisticados para derrubar inimigos. Durante minha adolescência, continuei a admirar o Kung Fu, sempre atraído pelas técnicas ímpares, os variados estilos, e movimentos que não se vê em outras artes marciais. Sempre achei aquilo incrível.

Em meados dos anos 2000, me deparei com o canal do Instituto Lohan no YouTube e ao assistir apenas um vídeo me senti encantado. Vi ali o diferente do diferente. Já havia assistido vídeos de outras academias. O treinamento era sempre semelhante. Bom, mas semelhante. Uniformes coloridos, faixas coloridas, um tatame no chão, e o treino de formas sendo executado, muito bonito, sob a tutela de um Mestre igualmente vestido de uniforme colorido.

No Instituto Lohan vi tudo diferente, não haviam faixas, o uniforme era preto e branco, o Mestre era um homem grande, de barba longa e roupas tradicionais chinesas, o treinamento era diferente de tudo que eu vira até então. Era duro, difícil. Eu não sabia explicar, não era bonito, mas era espetacular. Eu via a expressão no rosto dos praticantes. Expressões fechadas, concentradas, e um treinamento como nunca havia visto antes. Achei aquilo demais! E embora na época diversos fatores me impedissem de ir até lá, na mesma hora pensei “um dia quero treinar ali!”.

Os anos passaram, e eu continuei a sempre acompanhar o Instituto Lohan na internet. Até que em 2015 meu sonho teve a oportunidade de ser realizado. Como já acompanhava o Shifu Luis Mello no Facebook, vi que ele abriu o Curso de Formação Shaolin, e achei aquilo espetacular! Conversei com o Shifu sobre o curso e tive a grande oportunidade de realizar meu sonho!

Ao chegar cedo no primeiro dia, vi pessoas que eu admirava dos vídeos de anos e anos atrás, e tudo naquele local, o Templo Lohan, me encantou. E ao decorrer do dia, enquanto auxiliava outros praticantes na manutenção do Templo, fui percebendo algo totalmente diferente, algo que eu não pensei durante anos e anos em que via apenas vídeos: O Kung Fu além da técnica.

O modo como os praticantes reverenciavam um ao outro. O cuidado com que faziam tudo ali dentro. A forma com que manipulavam os itens do altar do Templo, a forma como limpavam o chão. Tudo era feito com cuidado, com método. No mesmo dia conheci pessoalmente o Shifu Luis Mello e entendi melhor aquilo tudo. Ele mencionou sobre como os praticantes deviam se portar, sobre o respeito mútuo, sobre hierarquia. Aquilo me impressionou de verdade.

Conforme os dias de treinamento iam ocorrendo pude perceber cada vez mais isso. E, no final do ano, pude realizar meu grande sonho, de me tornar oficialmente discípulo do Shifu Luis Mello! Houve também a incrível chegada do Venerável Shifu Shi De Yang, e durante o treinamento com ele, pude fortalecer meu conhecimento sobre como o Kung Fu é muito mais sobre como se portar no dia a dia, em absolutamente tudo o que você faz, do que apenas sobre técnicas de combate.

Já tive a oportunidade de realizar diversos treinamentos no Templo Lohan, como o Curso de Formação Shaolin, o treinamento intensivo com Shifu Shi De Yang, o curso de Palma de Ferro, curso de Qi Gong e o curso de Medicina Tradicional Chinesa, e todas as vezes, sem exceção, aprendo mais e mais com o Shifu Luis Mello e com meus irmãos de treino sobre como o Kung Fu está em tudo o que se faz, e está muito além da técnica.

Amituofo!
Marcos Nogaroli

 

O Chan está em casa

Uma vez um discípulo queria muito ver Buda, e pediu para seu mestre.

Seu mestre lhe deu um endereço para ir, e seguindo o endereço encontrou a casa de sua mãe, com um chinelo na mão e precisando de sua ajuda urgentemente.

Então, por um instante, esse discípulo viu o Chan.

Como Iniciei no Instituto Lohan

O ano de 2017 foi um tanto quanto conturbado para mim. Graças a Deus, eu estava empregado, pagando minhas contas em dia, com saúde e uma família linda, porém a empresa na qual trabalho estava infelizmente passando por profundas alterações organizacionais. Por motivos que não vêm ao caso detalhar, mas creio que muitos irão se identificar, cheguei num ponto onde percebi que não conseguiria mais seguir adiante contando apenas comigo mesmo e com a ajuda de amigos e familiares. Isso já começava a afetar tanto minha vida pessoal quanto profissional. Busquei ajuda e comecei então a fazer terapia e a tomar antidepressivos com acompanhamento médico.

A terapia me ajudou a me conhecer melhor, e a medicação, mesmo que, a meu ver, de forma “artificial”, me ajudou a ter forças para seguir adiante. Não foi um caminho fácil, além do quê nunca gostei de depender de medicamentos. Mas hoje, digo que foi um “mal” necessário.

Quando comecei a melhorar, eu já tinha para mim a convicção de que, apesar de tudo isso ter me ajudado, eu não queria continuar dependendo de terapia e de medicação por muito tempo. Foi quando então decidi que deveria procurar por alguma forma de distração onde poderia focar e canalizar minhas energias.

O que logo me surgiu como idéia, foi voltar a praticar artes marciais, algo pelo qual sempre tive alguma forma de atração, quer através de filmes ou pela prática em si. Quando criança, já havia praticado Judô e quando jovem, já havia passado também pelo Karatê, Aikido e Iaido, os quais, infelizmente, por motivos pessoais e profissionais, acabei abandonando.

Eu não queria ter aquela sensação de “recomeço”, mas sim de tentar algo novo. Mesmo  assim, naquele momento, imaginei que o Iaido seria uma boa opção.

Eu havia treinado Iaido na época em que praticava Aikido. Um sensei de Iaido começou a frequentar o dojô e resolveram então oferecer o Iaido como aulas adicionais para os alunos mais avançados de Aikido.

Como eu não havia praticado Iaido por muito tempo e me identifico bastante com a necessidade de disciplina, atenção aos detalhes, concentração e repetição exaustiva dos movimentos que a prática requer, resolvi tentar dar uma segunda chance e comecei a procurar um local para treinar.

A questão é que o Iaido não é uma arte muito comum e, aqui no Brasil, pelo que sei, não existem muitos lugares para se treinar. Mas graças à nossa “amiga” Internet, acabei encontrando uma academia de Kendô que supostamente também oferecia a prática de Iaido.

Fui então conhecer o local.  O mestre (de Kendô), um japonês daqueles bem sisudos e tradicionais veio conversar comigo. Quando expliquei que gostaria de voltar a treinar Iaido, ele logo de cara já me respondeu algo como (não vou lembrar exatamente as palavras): “Tem algumas pessoas aqui que treinam, mas não é bom. Iaido é apenas uma pequena parte do Kendô. Quem treina Kendô tira de letra o Iaido. Iaido é muito específico e muito limitado. Você está vendo esse pessoal aí que está treinando de armadura?  Treinaram por muito tempo até chegar aí e poder utilizar essas vestes e equipamentos. E isso treinando três, quatro vezes por semana no mínimo.”

Além de ter praticado artes marciais japonesas por vários anos, eu também já havia trabalhado alguns outros bons anos numa multinacional japonesa, e então entendo perfeitamente que esta forma de agir é meio que tradicional da cultura japonesa, principalmente vindo de pessoas com mais idade.

Porém, minha pretensão não era me tornar um mestre, mesmo porque a dedicação que isto exigiria seria incompatível com minha disponibilidade de tempo (que por muitas vezes, sei muito bem eu, poderia ser um tanto quanto inconstante frente à minha realidade profissional) e minha vida pessoal, como pai de família. Junte-se a isto a questão da idade, vi que a expectativa não seria condizente com minha realidade. Me dedicaria com certeza sim, mas de acordo com o melhor que eu poderia fazer, para me sentir bem comigo mesmo e não para tentar atingir algo que eu mesmo não almejava.

Aproveitei o curto tempo que eu estive lá para dar uma olhada na aula de Kendô que estava em andamento. Senti uma certa “maldade” em alguns dos praticantes, querendo medir forças e se mostrar “melhor” que os outros.

Percepção errada ou não, o fato é que não me senti bem-vindo ou no mínimo à vontade naquele local.

Eu estava todo empolgado me preparando para “tirar a poeira” da minha katana e do meu hakama, quando recebo esse “balde de água fria na cabeça”.

Fiquei realmente desanimado.

Passado algum tempo, e meio que recuperado do “baque”, voltei novamente a procurar alguma alternativa. Não queria uma arte marcial muito voltada para contato e combate competitivo, tal como Jiu-Jitsu, Muay-Thai ou MMA. Apesar de admirar, elas não se encaixam muito no que eu estava procurando.

Foi então que mais uma vez com a ajuda da nossa “amiga” Internet acabei “descobrindo” (como se eu nunca tivesse ouvido falar… 🙂 ) o Kung-Fu, e por tabela, o Instituto Lohan.

No Lohan, foi totalmente diferente. No dia que eu compareci para participar da aula experimental, fui muito bem recebido, tanto pelos alunos quanto pelo instrutor (o Junior) que estavam no Instituto naquele momento. Apenas por este aparentemente “simples” fato, já me senti como “parte da casa”. Isso inclusive foi um dos pontos que lembro do Shifu ter comentado durante um dos treinos, da importância de se receber bem os novos alunos. Não precisa de muita coisa. Só o fato de alguém vir conversar, se mostrar interessado em suas perspectivas ou simplesmente cumprimentar, já faz uma grande diferença. No final da aula, o Shifu já havia chegado e tirou algumas dúvidas adicionais que eu tinha. Fiz a matrícula no mesmo dia.

É legal esse ponto do Lohan, onde o Shifu não dá nenhuma informação antes que o pretendente a aluno faça uma aula experimental. Como as percepções são pessoais, julgo ser isto muito importante, pois permite que a pessoa tire suas próprias conclusões e sinta se aquilo é realmente ou não o que ela espera.

Após estes poucos de meses de prática, devo confessar que algumas vezes tomei alguns “sustos” :-). As aulas são variadas. Às vezes se treina mais as formas, às vezes se dá mais ênfase a treinamento de “combate” ou com “sparring”. Às vezes os treinos são mais leves e às vezes mais pesados. Alguns pontos realmente me agradam, mas algumas vezes, outros nem tanto.

Principalmente no início, devido à algumas aulas, eu voltava para casa dolorido e com alguns hematomas. Na grande maioria das vezes, não especificamente por causa de um ou outro golpe mais forte (que eventualmente também ocorrem), mas sim por causa da repetição contínua de algum exercício ou forma.  Junte-se a isto a falta de prática e experiência, julgo ser um tanto quanto inevitável que tais fatos possam ocorrer eventualmente algumas vezes.

A aula experimental como já mencionei anteriormente, é, a meu ver, muito importe, mas uma percepção mais completa só será possível através de uma prática mais extensa e contínua. Nesta perspectiva, julgo que tive “sorte” com minha aula inicial experimental, pois o que foi treinado me agradou logo de cara. Talvez se eu tivesse tido o “azar” de ter participado de uma aula um pouco mais “pesada”, com ênfase mais no “combate” e/ou técnicas mais “contundentes” talvez minha percepção inicial, quem sabe equivocada, poderia ter sido outra.

De um modo geral, julgo que minha experiência no Instituto Lohan tem sido muito positiva. Além de ter me ajudado a sair do quadro depressivo, tenho me sentido muito mais disposto e principalmente satisfeito com os novos conhecimentos que tenho adquirido e que posso levar para além do Instituto e praticar no meu dia-a-dia.  

A vida não é feita apenas de flores e caminhos retos e planos, mas principalmente de muitas pedras e caminhos tortuosos pela jornada. Enfrentá-los, contorná-los ou simplesmente deixar-se levar, é decisão de cada um. São as intempéries da vida que te fazem crescer como indivíduo e tornar-se uma pessoa cada vez mais forte. Para mim, este é o verdadeiro significado do Kung-Fu.

Amituofo!

O início da prática

Minha chegada ao Instituto Lohan e ao Kung Fu tem início na internet. Assistia os vídeos explicativos, brincadeiras com os alunos e as apresentações que me encantavam. Imaginava o quanto seria legal poder treinar lá. Agendei uma aula para conhecer a escola, me apaixonei pela arte marcial e percebi a seriedade, respeito e tradição que tanto se busca no Kung Fu contemporâneo. Com o passar dos meses fui percebendo o treino físico e mental que o Kung Fu proporciona ao praticante. Ao passo que sentia meu corpo mais forte também percebia aos poucos uma mudança na intenção em realizar as coisas. Seja no salão de treino, seja na vida cotidiana. Percebi minhas prioridades e aprendi a não perder tempo e ainda assim não ter pressa com resultados. Alguns meses depois fui convidado a ajudar no Templo Lohan e treinar diretamente com o Shifu Luis Mello que juntamente aos alunos mais velhos me receberam e me ensinaram tanto. Neste momento já se aproximava a visita do Venerável Shideyang ao Brasil que foi em suma simplesmente inesquecível poder ter contato com o mestre de meu mestre.

Logo após sua partida se iniciaram as reformas nas salas internas do Templo. Foram muitos acontecimentos simultâneos que me fizeram perceber como os meses pareciam anos de aprendizado. Cada dia apresentava novos desafios e empreitadas que me orgulho de poder ter participado. 2016 começa e com ele o treino foi se intensificando, novas técnicas e conhecimentos me foram passados. Wing Chun, Shaolin, Hung Gar, seis dias na semana, quatro, as vezes seis horas de treino e o encanto aumentando cada vez mais. Quando percebi chegou a hora de separar as coisas e ir para a televisão ou para o palco do ano novo chinês me apresentar com aqueles que admirava alguns anos atrás. Foram muitas batalhas travadas, todas com sucesso ao lado de meus irmãos de treino.

Eis que chega 2017, e com ele uma grande responsabilidade, cuidar da escola e dar aulas ao lado do Shifu. Me senti honrado e procurei seguir e passar com o todo coração e verdade aquilo que aprendi nos anos anteriores. Dentre aulas, passeios, conversas, jantares, fomos nos estreitando e a relação de mestre, aluno e irmãos foi criando laços fortes nos quais hoje posso confiar.  Fico muito feliz de perceber tudo que aprendi e mais feliz ainda pois sei que ainda tenho muito que aprender com o vasto mundo da arte marcial chinesa. Espero receber novos praticantes assim como fui recebido. Agende uma aula e venha treinar!

Júnior Borbanogo