MEU CONTATO COM O INSTITUO LOHAN

MEU CONTATO COM O INSTITUO LOHAN

Primeiramente gostaria de agradecer nosso a mestre Luis Mello e por permitir que nós alunos pudéssemos compartilhar nossas experiências no templo e a história de como conhecemos o Instituto Lohan e de que forma a escola nos mudou.

Meu nome é Sergio Baldin de Oliveira, sou aluno do Instituto Lohan á quase 02(dois) anos. Não sou uma pessoa que gosta de contar muito sobre os problemas que já enfrentei em minha vida falo apenas o que acho que seja relevante. Como já sou membro da escola há algum tempo me sinto confortável para dizer quais foram os motivos que me fizeram a treinar Kung-Fu e porque escolhi ficar no Lohan.

No começo do ano de 2016, estava passando por uma situação complicada no meu ambiente de trabalho tanto eu como alguns colegas sofríamos constantemente assédio moral por parte de um de nossos superiores que gostava de humilhar e nos discriminar. Essa situação me acarretou muitos problemas psicológicos me deixando uma pessoa antipática, impaciente, intolerante, agressivo e sedentário sem querer sair de casa para nada ficando recluso de tudo.

Fui orientado por meus pais a procurar fazer alguma atividade física que pudesse me distrair e até mesmo me ajudar, como já havia praticado durante 01(um) ano Kung-Fu quando criança optei por fazer algo que eu já conhecia e comecei a procurar algumas escolas de artes marciais que ficavam próximo do meu trabalho foi quando vi um cartaz do Instituto Lohan próximo ao metro Liberdade e decidi marcar uma aula experimental.

Ao chegar para fazer aula no INSTITUTO LOHAN fui bem recepcionado não só pelos funcionários como também pelos alunos que me recepcionaram logo de imediato puxando assunto e me orientando em alguns exercícios. Fiz a aula experimental e me senti extremamente melhor não apenas fisicamente mais também mentalmente, após o treino me senti renovado como se os problemas tivessem sumido mesmo que por um instante.

A aula que tive foi tão boa que decidi me matricular por um ano inteiro e assim o fiz me matriculei por um ano e comecei a treinar no INSTITUTO de começo não agüentava muito fazer os treinos, pois eram bem pesados e exigiam força mental e física.

MUDANÇA:
Após algumas messes de treino comecei a perceber algumas mudanças em meu comportamento e algumas mudanças físicas, ao invés de fazer apenas duas aulas de 01(uma) hora durante a semana, comecei a fazer 3(três) aulas às vezes duas seguidas, voltei a ser uma pessoa simpática, paciente, compreensiva e não ficava mais agressivo. Essas mudanças também repercutiram no meu ambiente de trabalho onde fui elogiado por minha paciência e pregar algumas coisas que aprendi no INSTITUTO LOHAN também apreendi a tolerar certas situações.

Com o passar do tempo treinando bastante acabei a praticando não só o Kung-Fu Shaolim, mas também o Wing-Shum outro estilo de arte marcial chinesa que a escola oferece. Quanto mas treino mais resistência física eu ganho atualmente pratico 02(duas) aulas seguidas de uma hora na semana e uma aula de 2(duas) horas aos finais de semana.

O INSTITUTO LOHAN E SEUS MEMBROS:
Aos meus olhos não é apenas uma escola de artes marciais, diferente da maioria das escolas que após o treino vai cada um para o seu lado. O INSTITUTO LOHAN, propaga a algo que poucas escolas tem o chamado sentido da família onde os alunos cuidam um dos outros sempre com respeito, sinceridade e honestidade.

Os alunos mais velhos acolhem os alunos mais novos como irmãos e pelo que sempre vejo nas aulas é sempre o aluno mais experiente dividindo seus conhecimentos com os mais novos e os corrigindo quando necessário.

Lá conheci grandes pessoas de diferentes opiniões, diferentes religiões, diferentes países, cada um o qual tive o prazer de conhecer me ensinou o significado da amizade, lealdade, honestidade e o que é ser uma família.
Nossos irmãos mais velhos são nossos monitores estão ao lado de nosso mestre, eles nos guiam e repassam seus conhecimentos sanando nossas duvidas e nos corrigindo quando necessário para aperfeiçoamos nosso Kung-Fu.

O SHIFU

Como toda família o Instituto Lohan tem um patriarca no caso nosso Shifu que tem como significado de (mestre para toda vida). Nosso mestre Luis Mello é o responsável por essa incrível família que é o Lohan, além das aulas praticas que temos no dia-a-dia temos também a parte teórica onde ele senta conosco e nos tira algumas duvidas que temos sobre os exercícios praticados e nos ensina sobre o surgimento do Kung-Fu Shaolim e de que forma essa arte se propagou no mundo.

Nosso mestre nos passa seus conhecimentos de forma simples e de maneira eficaz, pois uma fez que aprendemos não esquecemos, é sempre simpático com todos seus discípulos e alunos ele os conhece um por um quando pode. Cada aula que temos e nos ensina sempre uma maneira de agir e sempre nos corrige para que possamos fazer certo as técnicas e exercícios e para que assim possamos dar continuidade a seu legado.

AGRADECIMENTO.
Atualmente estou para completar 02(dois) anos no INSTITUTO LOHAN e só tenho a agradecer pelo tempo maravilho que tive durante todo esse tempo e as pessoas incríveis que conheci pretendo continuar por mais um bom tempo na escola ao lado dos meus irmãos de treino e do nosso mestre.
A todos que cederam seu tempo para ler este depoimento muito obrigado.

Amituofó

Kung Fu Para iniciantes

É preciso dizer muitas coisas sobre o Instituto Lohan para os iniciantes.

Quando eu comecei no Lohan, já tinha alguma experiência em artes marciais, principalmente na parte tradicional. Mas sentia e buscava algo a mais. E ao terminar uma aula intensa com o Shifu tive uma luz: o treino que tinha acabado de fazer continha todos os elementos essenciais para a evolução que eu almejava em artes marciais. Seria uma questão de esforço pessoal melhorar em cada aspecto, que haviam sido visitados com diligência e atenção pelo Shifu. Aquela aula era uma referência que a minha pouca experiência já percebia como muito valiosa. Digo isso porque é importante lembrar que o kung fu tem sua origem em tempos antigos, sem as amenidades e sem a correria do mundo moderno – quando os praticantes treinavam (e em alguns lugares ainda treinam) horas a fio. E, para buscar um simples copo d’água, talvez você tivesse que carregar baldes de cinco ou dez quilos por um quilômetro ou mais, para poder satisfazer essa sua necessidade tão básica. Então um ditado do Templo Shaolin diz: “primeiro fortaleça o corpo, depois desenvolva a mente”. Então não vamos viajar na maionese não, o mais importante agora no início é a sua conduta ética, seu respeito para com o Shifu e com seus colegas e sua coragem.

E o treino físico?

Tudo começa com a respiração. É a primeira ação de um recém-nascido. A última ação de um homem na terra. A prática Tradicional do kung fu está baseada na respiração, e exercícios focados nesse aspecto são chamados Qi Gong. O corpo se estica e se flexiona, causando tensão e relaxamento em partes específicas do corpo. Não é nem alongamento nem fortalecimento. É tudo isso aliado a um profundo estado de atenção ao presente momento, ao seu corpo. Para alguns pode demorar um pouco, mas o suor profuso virá com essa prática. A língua no céu de boca, a coluna toda ereta, a respiração profunda pelo nariz indo até a profundidade do abdômen. A quatro dedos abaixo da cicatriz do umbigo, temos um centro de energia chamado Tan Dian, de onde nasce o Qi, a energia vital que corre ao longo do seu corpo e será ativado durante todo o seu treinamento de kung fu. Você vai respirar até esse ponto, e logo o Qi vai correr pelo seu corpo como um fluido invisível, mas tão real quanto seus pensamentos e seus sentimentos fluem pela sua mente, durante o treino. Mantenha o foco na pratica externa enquanto isso acontece. Em artes marciais deve-se estar sempre atento ao seu ambiente, ao que está acontecendo ao seu redor. Isso evita muitos acidentes.

Se nossa energia nasce do abdômen, melhor fortalecê-lo não é mesmo? Fazer abdominais é essencial para qualquer atleta, e quem busca o kung fu sabe que o kung fu é muito mais que um esporte: então melhor já resolver a parte esportiva e condicionar-se fisicamente não é mesmo? Tocar os pés com os dedos da mão, agarrar os joelhos e tocar os cotovelos nos joelhos sãos os abdominais básicos. Todo mundo já ouviu falar do equilíbrio entre yin e yang, baseado na filosofia taoista que deu origem ao kung fu. Vamos colocar isso em prática: para equilibrar com um abdômen sarado, a postura de ponte dorsal fortalece a região da coluna lombar, mais conhecida como região das costas. Assim essas musculaturas vão trabalhar juntas para equilibrar seu corpo durante a prática. É uma postura básica do kung fu.

Dizem que o kung fu começa com um soco. Para um soco ser forte você precisa fazer flexões de braço. Se eu for falar de todos os tipos de flexão que o Shifu já ensinou, esse texto ficará muito longo. O importante é fazer. Cada iniciante vai ao seu limite, mas tem que se esforçar: repetições, fazer lento, fazer rápido, com os punhos, e até mesmo aquela flexão que você nunca consegue fazer, tente. É necessário. A flexão de braço mais simples é aquela em que as mãos ficam ao nível dos ombros, nem acima nem abaixo, e a um palmo do tronco, nas laterais.

Já ouviu dizer que o cão é o melhor amigo do homem? O cavalo, ou mais precisamente a postura do cavaleiro e o melhor companheiro do praticante de kung fu. Se for bem treinado, quando tudo falhar, ele estará lá para te ajudar, acredite. É a base de onde saem todos os movimentos. Fortaleça as pernas na postura do cavalo!

Todo mundo fica impressionado com as demonstrações de flexibilidade dos monges Shaolin. Um feito admirável sem dúvida. Então qual será segredo? O kung fu não é aquela rotina chata de academia em que a aula sempre começa com alongamento, mas o alongamento é parte essencial do treinamento. Lembre-se que o kung fu teve influência de formas primitivas da yoga indiana, então aproveite o momento do alongamento para descobrir seu corpo, onde ele é mais duro, onde é mais flexível e como tudo isso se encaixa e forma o seu corpo; como seus hábitos influenciam seu corpo? Controle seu corpo e descubra até onde você consegue ir. Geralmente fazemos repetições de mais ou menos trinta vezes em cada posição, mas isso pode aumentar com o tempo e outra estratégia é segurar trinta segundos na posição de maior alongamento ao final de cada exercício.

E finalmente mas tão essencial quanto os outros, a meditação. Pôde-se iniciar com respirações profundas, olhos fechados e mãos à frente do rosto. Depois a instrução budista não deixa dúvidas: sentado de pernas cruzadas, coluna ereta, queixo para dentro, língua no céu da boca, olhos semicerrados, olhar a quarenta e cinco graus, respiração abdominal focada no tan dian, mão esquerda sobre a direita. Nessa posição imóvel o importante é focar no momento presente e na respiração: iniciar inspirando naturalmente e expirando por um segundo. Na próxima respiração, expirar dois segundos. E vai progredindo até, ou se conseguir expirar durante dez segundos. Caso perder a contagem ou chegar a dez, retomar o início com a expiração de um segundo e recomece o ciclo. Se esforce para não deixar seus pensamentos atrapalharem o exercício. Assista a seus próprios pensamentos e sentimentos e tente não reagir, apenas retome o exercício.

Existe outro aspecto fundamental, mas que eu particularmente também tenho dificuldade. Baseado em tudo o que já foi dito, o kung fu (e principalmente o kung fu shaolin) é uma expressão do espírito por meio do corpo: expressar seus sentimentos e sua energia nos movimentos é fundamental. Entretanto, quem não se sente desanimado de vez em quanto? Tristeza, cansaço, medo, raiva… até os nossos desejos podem confundir nossa mente e qualquer emoção em excesso pode fazer-nos perder o foco –  sem foco não há nada. Lute contra tudo isso.

Vá ao treino e imprima sua expressão: mas lembre-se que isso é feito em nome da tradição!

Ética. Respiração. Alongamento. Abdominal. Ponte. Flexão de braço. Meditação. O caminho das pedras está aí, não é fácil, mas é para quem quer uma boa aventura!

E há muito por vir: formas, calejamento, aplicações, combate combinado, combate livre, armas…treine e verá.

Um grande abraço!

Vicente Faggion, Shixiong – Irmão mais velho
Vicente Faggion, Shixiong – Irmão mais velho

O Kung Fu além da técnica

Meu nome é Marcos Nogaroli e sou um iniciante na prática do Kung Fu, embora minha paixão venha de anos e anos atrás, quando era criança. Paixão essa, despertada ao assistir aos filmes de Jackie Chan e Jet Li. Achava os movimentos e técnicas espetaculares, e sonhava um dia aprender a fazer aqueles movimentos sofisticados para derrubar inimigos. Durante minha adolescência, continuei a admirar o Kung Fu, sempre atraído pelas técnicas ímpares, os variados estilos, e movimentos que não se vê em outras artes marciais. Sempre achei aquilo incrível.

Em meados dos anos 2000, me deparei com o canal do Instituto Lohan no YouTube e ao assistir apenas um vídeo me senti encantado. Vi ali o diferente do diferente. Já havia assistido vídeos de outras academias. O treinamento era sempre semelhante. Bom, mas semelhante. Uniformes coloridos, faixas coloridas, um tatame no chão, e o treino de formas sendo executado, muito bonito, sob a tutela de um Mestre igualmente vestido de uniforme colorido.

No Instituto Lohan vi tudo diferente, não haviam faixas, o uniforme era preto e branco, o Mestre era um homem grande, de barba longa e roupas tradicionais chinesas, o treinamento era diferente de tudo que eu vira até então. Era duro, difícil. Eu não sabia explicar, não era bonito, mas era espetacular. Eu via a expressão no rosto dos praticantes. Expressões fechadas, concentradas, e um treinamento como nunca havia visto antes. Achei aquilo demais! E embora na época diversos fatores me impedissem de ir até lá, na mesma hora pensei “um dia quero treinar ali!”.

Os anos passaram, e eu continuei a sempre acompanhar o Instituto Lohan na internet. Até que em 2015 meu sonho teve a oportunidade de ser realizado. Como já acompanhava o Shifu Luis Mello no Facebook, vi que ele abriu o Curso de Formação Shaolin, e achei aquilo espetacular! Conversei com o Shifu sobre o curso e tive a grande oportunidade de realizar meu sonho!

Ao chegar cedo no primeiro dia, vi pessoas que eu admirava dos vídeos de anos e anos atrás, e tudo naquele local, o Templo Lohan, me encantou. E ao decorrer do dia, enquanto auxiliava outros praticantes na manutenção do Templo, fui percebendo algo totalmente diferente, algo que eu não pensei durante anos e anos em que via apenas vídeos: O Kung Fu além da técnica.

O modo como os praticantes reverenciavam um ao outro. O cuidado com que faziam tudo ali dentro. A forma com que manipulavam os itens do altar do Templo, a forma como limpavam o chão. Tudo era feito com cuidado, com método. No mesmo dia conheci pessoalmente o Shifu Luis Mello e entendi melhor aquilo tudo. Ele mencionou sobre como os praticantes deviam se portar, sobre o respeito mútuo, sobre hierarquia. Aquilo me impressionou de verdade.

Conforme os dias de treinamento iam ocorrendo pude perceber cada vez mais isso. E, no final do ano, pude realizar meu grande sonho, de me tornar oficialmente discípulo do Shifu Luis Mello! Houve também a incrível chegada do Venerável Shifu Shi De Yang, e durante o treinamento com ele, pude fortalecer meu conhecimento sobre como o Kung Fu é muito mais sobre como se portar no dia a dia, em absolutamente tudo o que você faz, do que apenas sobre técnicas de combate.

Já tive a oportunidade de realizar diversos treinamentos no Templo Lohan, como o Curso de Formação Shaolin, o treinamento intensivo com Shifu Shi De Yang, o curso de Palma de Ferro, curso de Qi Gong e o curso de Medicina Tradicional Chinesa, e todas as vezes, sem exceção, aprendo mais e mais com o Shifu Luis Mello e com meus irmãos de treino sobre como o Kung Fu está em tudo o que se faz, e está muito além da técnica.

Amituofo!
Marcos Nogaroli

 

Como Iniciei no Instituto Lohan

O ano de 2017 foi um tanto quanto conturbado para mim. Graças a Deus, eu estava empregado, pagando minhas contas em dia, com saúde e uma família linda, porém a empresa na qual trabalho estava infelizmente passando por profundas alterações organizacionais. Por motivos que não vêm ao caso detalhar, mas creio que muitos irão se identificar, cheguei num ponto onde percebi que não conseguiria mais seguir adiante contando apenas comigo mesmo e com a ajuda de amigos e familiares. Isso já começava a afetar tanto minha vida pessoal quanto profissional. Busquei ajuda e comecei então a fazer terapia e a tomar antidepressivos com acompanhamento médico.

A terapia me ajudou a me conhecer melhor, e a medicação, mesmo que, a meu ver, de forma “artificial”, me ajudou a ter forças para seguir adiante. Não foi um caminho fácil, além do quê nunca gostei de depender de medicamentos. Mas hoje, digo que foi um “mal” necessário.

Quando comecei a melhorar, eu já tinha para mim a convicção de que, apesar de tudo isso ter me ajudado, eu não queria continuar dependendo de terapia e de medicação por muito tempo. Foi quando então decidi que deveria procurar por alguma forma de distração onde poderia focar e canalizar minhas energias.

O que logo me surgiu como idéia, foi voltar a praticar artes marciais, algo pelo qual sempre tive alguma forma de atração, quer através de filmes ou pela prática em si. Quando criança, já havia praticado Judô e quando jovem, já havia passado também pelo Karatê, Aikido e Iaido, os quais, infelizmente, por motivos pessoais e profissionais, acabei abandonando.

Eu não queria ter aquela sensação de “recomeço”, mas sim de tentar algo novo. Mesmo  assim, naquele momento, imaginei que o Iaido seria uma boa opção.

Eu havia treinado Iaido na época em que praticava Aikido. Um sensei de Iaido começou a frequentar o dojô e resolveram então oferecer o Iaido como aulas adicionais para os alunos mais avançados de Aikido.

Como eu não havia praticado Iaido por muito tempo e me identifico bastante com a necessidade de disciplina, atenção aos detalhes, concentração e repetição exaustiva dos movimentos que a prática requer, resolvi tentar dar uma segunda chance e comecei a procurar um local para treinar.

A questão é que o Iaido não é uma arte muito comum e, aqui no Brasil, pelo que sei, não existem muitos lugares para se treinar. Mas graças à nossa “amiga” Internet, acabei encontrando uma academia de Kendô que supostamente também oferecia a prática de Iaido.

Fui então conhecer o local.  O mestre (de Kendô), um japonês daqueles bem sisudos e tradicionais veio conversar comigo. Quando expliquei que gostaria de voltar a treinar Iaido, ele logo de cara já me respondeu algo como (não vou lembrar exatamente as palavras): “Tem algumas pessoas aqui que treinam, mas não é bom. Iaido é apenas uma pequena parte do Kendô. Quem treina Kendô tira de letra o Iaido. Iaido é muito específico e muito limitado. Você está vendo esse pessoal aí que está treinando de armadura?  Treinaram por muito tempo até chegar aí e poder utilizar essas vestes e equipamentos. E isso treinando três, quatro vezes por semana no mínimo.”

Além de ter praticado artes marciais japonesas por vários anos, eu também já havia trabalhado alguns outros bons anos numa multinacional japonesa, e então entendo perfeitamente que esta forma de agir é meio que tradicional da cultura japonesa, principalmente vindo de pessoas com mais idade.

Porém, minha pretensão não era me tornar um mestre, mesmo porque a dedicação que isto exigiria seria incompatível com minha disponibilidade de tempo (que por muitas vezes, sei muito bem eu, poderia ser um tanto quanto inconstante frente à minha realidade profissional) e minha vida pessoal, como pai de família. Junte-se a isto a questão da idade, vi que a expectativa não seria condizente com minha realidade. Me dedicaria com certeza sim, mas de acordo com o melhor que eu poderia fazer, para me sentir bem comigo mesmo e não para tentar atingir algo que eu mesmo não almejava.

Aproveitei o curto tempo que eu estive lá para dar uma olhada na aula de Kendô que estava em andamento. Senti uma certa “maldade” em alguns dos praticantes, querendo medir forças e se mostrar “melhor” que os outros.

Percepção errada ou não, o fato é que não me senti bem-vindo ou no mínimo à vontade naquele local.

Eu estava todo empolgado me preparando para “tirar a poeira” da minha katana e do meu hakama, quando recebo esse “balde de água fria na cabeça”.

Fiquei realmente desanimado.

Passado algum tempo, e meio que recuperado do “baque”, voltei novamente a procurar alguma alternativa. Não queria uma arte marcial muito voltada para contato e combate competitivo, tal como Jiu-Jitsu, Muay-Thai ou MMA. Apesar de admirar, elas não se encaixam muito no que eu estava procurando.

Foi então que mais uma vez com a ajuda da nossa “amiga” Internet acabei “descobrindo” (como se eu nunca tivesse ouvido falar… 🙂 ) o Kung-Fu, e por tabela, o Instituto Lohan.

No Lohan, foi totalmente diferente. No dia que eu compareci para participar da aula experimental, fui muito bem recebido, tanto pelos alunos quanto pelo instrutor (o Junior) que estavam no Instituto naquele momento. Apenas por este aparentemente “simples” fato, já me senti como “parte da casa”. Isso inclusive foi um dos pontos que lembro do Shifu ter comentado durante um dos treinos, da importância de se receber bem os novos alunos. Não precisa de muita coisa. Só o fato de alguém vir conversar, se mostrar interessado em suas perspectivas ou simplesmente cumprimentar, já faz uma grande diferença. No final da aula, o Shifu já havia chegado e tirou algumas dúvidas adicionais que eu tinha. Fiz a matrícula no mesmo dia.

É legal esse ponto do Lohan, onde o Shifu não dá nenhuma informação antes que o pretendente a aluno faça uma aula experimental. Como as percepções são pessoais, julgo ser isto muito importante, pois permite que a pessoa tire suas próprias conclusões e sinta se aquilo é realmente ou não o que ela espera.

Após estes poucos de meses de prática, devo confessar que algumas vezes tomei alguns “sustos” :-). As aulas são variadas. Às vezes se treina mais as formas, às vezes se dá mais ênfase a treinamento de “combate” ou com “sparring”. Às vezes os treinos são mais leves e às vezes mais pesados. Alguns pontos realmente me agradam, mas algumas vezes, outros nem tanto.

Principalmente no início, devido à algumas aulas, eu voltava para casa dolorido e com alguns hematomas. Na grande maioria das vezes, não especificamente por causa de um ou outro golpe mais forte (que eventualmente também ocorrem), mas sim por causa da repetição contínua de algum exercício ou forma.  Junte-se a isto a falta de prática e experiência, julgo ser um tanto quanto inevitável que tais fatos possam ocorrer eventualmente algumas vezes.

A aula experimental como já mencionei anteriormente, é, a meu ver, muito importe, mas uma percepção mais completa só será possível através de uma prática mais extensa e contínua. Nesta perspectiva, julgo que tive “sorte” com minha aula inicial experimental, pois o que foi treinado me agradou logo de cara. Talvez se eu tivesse tido o “azar” de ter participado de uma aula um pouco mais “pesada”, com ênfase mais no “combate” e/ou técnicas mais “contundentes” talvez minha percepção inicial, quem sabe equivocada, poderia ter sido outra.

De um modo geral, julgo que minha experiência no Instituto Lohan tem sido muito positiva. Além de ter me ajudado a sair do quadro depressivo, tenho me sentido muito mais disposto e principalmente satisfeito com os novos conhecimentos que tenho adquirido e que posso levar para além do Instituto e praticar no meu dia-a-dia.  

A vida não é feita apenas de flores e caminhos retos e planos, mas principalmente de muitas pedras e caminhos tortuosos pela jornada. Enfrentá-los, contorná-los ou simplesmente deixar-se levar, é decisão de cada um. São as intempéries da vida que te fazem crescer como indivíduo e tornar-se uma pessoa cada vez mais forte. Para mim, este é o verdadeiro significado do Kung-Fu.

Amituofo!