Minha visão sobre o Kung Fu e Instituto Lohan.

Olá, saudações a todos os leitores, meu nome é Erick Cavalcante, sou aluno e recentemente me tornei discípulo formal do Instituto Lohan ao participar da cerimônia de Paisi no Templo Lohan.  Agradeço muito ao convite do Shifu Luis Mello para expor minha visão sobre o Kung Fu, na condição de iniciante, abordando minha vivência até o momento.

Como conheci o Kung Fu e o Instituto:

Acredito que como a maioria dos brasileiros, meu primeiro contato com o Kung Fu e interesse se deu através de filmes e textos leigos sobre o tema. Sempre admirei o Bruce Lee, tanto pelos filmes quanto pelos livros e textos sobre filosofia. A partir desse contato procurei outras obras chinesas como Os Analectos de Confúcio, A arte da guerra e o Tao te ching. Quanto a prática da arte marcial, já havia feito algumas aulas experimentais em alguns lugares, mas, apesar de serem bons locais, não me senti inclinado a voltar. Depois de muita pesquisa acabei encontrando o Instituto Lohan, marquei uma aula experimental e senti que havia encontrado o lugar ideal.

O Instituto e os irmãos:

Desde o primeiro momento, me senti completamente bem vindo e acolhido por todos. Eu sou uma pessoa reservada e por vezes hermética, até com certa desconfiança com as pessoas, mas isso não vem ao caso. O que me surpreendeu foi a simpatia com que todos se tratam e isso se estende a todos os novatos e visitantes. Todos os instrutores e irmãos dão o melhor de si para fazer do Instituto Lohan uma das melhores escolas do Brasil. Não há distinção e preconceitos de qualquer tipo, sendo que iniciantes e avançados podem treinar, conviver e crescer juntos, como uma irmandade deve ser. O instituto é um local muito bem estruturado e organizado, contando ainda com o Templo que é um lugar de paz e de força, o que torna a experiência ainda mais especial e tradicional.

O Shifu:

Se você procura um mestre que te carregue nas costas, que te convença com risadas ou palavras belas e simpáticas o tempo todo, definitivamente você não está procurando Kung Fu. O melhor do Instituto Lohan é contar com um Shifu que não vai te iludir, pelo contrário, irá expor as verdades de cada um, doa a quem doer, duro e rígido, como só um pai que quer o melhor para o filho pode ser. Há mais de 20 anos ensinando (e nunca deixando de aprender) Kunf Fu, Budismo e a Cultura Chinesa, o Shifu Luis Mello é referência não só no Brasil, mas pelo mundo. Ligado aos mestres e irmãos chineses, está sempre se aprimorando e representando o verdadeiro Kung Fu chinês no Brasil. Apesar da postura rígida e séria de um respeitável Shifu, sempre mantém a humildade de se sentar com todos e principalmente de ouvir o que todos têm a dizer, trata todos com justiça e nas horas de descontração, se revela uma pessoa divertida e muito amigável que todos adoram.

Por que praticar Kung Fu?

Quanto a isso, cada um tem seus motivos. Seja para melhorar seu físico, sua concentração e foco em estudos, talvez para se tornar um grande lutador ou ainda para adquirir paz e tranqüilidade em uma vida conturbada, as pessoas buscam no Kung Fu a solução. Há todo um ar de mistério e misticismo por trás das artes chinesas que os leigos acreditam que fará a diferença em suas vidas no momento em que pisarem na escola. Não há mágica nenhuma. Passado algum tempo praticando, as pessoas irão vivenciar essa nova realidade, pode ser um choque para alguns, até um momento de incerteza e frustração, mas para a maioria será a maior libertação de suas vidas. O kung Fu finalmente irá ensinar que nada cai do céu, ninguém vai resolver seus problemas por você, muito menos te carregar no colo. O kung Fu irá sim fortalecer seu corpo e sua mente, mas através de muito esforço e dedicação. A partir do momento que você aceitar essa nova realidade, poderá começar a conhecer a si mesmo e se reinventar. Ir atrás de conquistar com a mesma garra aprendida nos treinos os seus objetivos, pois se trata da sua vida e de você tomar as rédeas e conquistar. Nessa nova jornada, com força e equilíbrio restaurados, podendo contar com o apoio dos irmãos e do Shifu, você poderá conquistar o que deseja, através de seu esforço e determinação, não desistindo jamais, pois o Kung Fu se trata de continuar em frente, sem pressa, sem perder tempo.

Muito obrigado.

Amituofo.

O Chan está em casa

Uma vez um discípulo queria muito ver Buda, e pediu para seu mestre.

Seu mestre lhe deu um endereço para ir, e seguindo o endereço encontrou a casa de sua mãe, com um chinelo na mão e precisando de sua ajuda urgentemente.

Então, por um instante, esse discípulo viu o Chan.

Como Iniciei no Instituto Lohan

O ano de 2017 foi um tanto quanto conturbado para mim. Graças a Deus, eu estava empregado, pagando minhas contas em dia, com saúde e uma família linda, porém a empresa na qual trabalho estava infelizmente passando por profundas alterações organizacionais. Por motivos que não vêm ao caso detalhar, mas creio que muitos irão se identificar, cheguei num ponto onde percebi que não conseguiria mais seguir adiante contando apenas comigo mesmo e com a ajuda de amigos e familiares. Isso já começava a afetar tanto minha vida pessoal quanto profissional. Busquei ajuda e comecei então a fazer terapia e a tomar antidepressivos com acompanhamento médico.

A terapia me ajudou a me conhecer melhor, e a medicação, mesmo que, a meu ver, de forma “artificial”, me ajudou a ter forças para seguir adiante. Não foi um caminho fácil, além do quê nunca gostei de depender de medicamentos. Mas hoje, digo que foi um “mal” necessário.

Quando comecei a melhorar, eu já tinha para mim a convicção de que, apesar de tudo isso ter me ajudado, eu não queria continuar dependendo de terapia e de medicação por muito tempo. Foi quando então decidi que deveria procurar por alguma forma de distração onde poderia focar e canalizar minhas energias.

O que logo me surgiu como idéia, foi voltar a praticar artes marciais, algo pelo qual sempre tive alguma forma de atração, quer através de filmes ou pela prática em si. Quando criança, já havia praticado Judô e quando jovem, já havia passado também pelo Karatê, Aikido e Iaido, os quais, infelizmente, por motivos pessoais e profissionais, acabei abandonando.

Eu não queria ter aquela sensação de “recomeço”, mas sim de tentar algo novo. Mesmo  assim, naquele momento, imaginei que o Iaido seria uma boa opção.

Eu havia treinado Iaido na época em que praticava Aikido. Um sensei de Iaido começou a frequentar o dojô e resolveram então oferecer o Iaido como aulas adicionais para os alunos mais avançados de Aikido.

Como eu não havia praticado Iaido por muito tempo e me identifico bastante com a necessidade de disciplina, atenção aos detalhes, concentração e repetição exaustiva dos movimentos que a prática requer, resolvi tentar dar uma segunda chance e comecei a procurar um local para treinar.

A questão é que o Iaido não é uma arte muito comum e, aqui no Brasil, pelo que sei, não existem muitos lugares para se treinar. Mas graças à nossa “amiga” Internet, acabei encontrando uma academia de Kendô que supostamente também oferecia a prática de Iaido.

Fui então conhecer o local.  O mestre (de Kendô), um japonês daqueles bem sisudos e tradicionais veio conversar comigo. Quando expliquei que gostaria de voltar a treinar Iaido, ele logo de cara já me respondeu algo como (não vou lembrar exatamente as palavras): “Tem algumas pessoas aqui que treinam, mas não é bom. Iaido é apenas uma pequena parte do Kendô. Quem treina Kendô tira de letra o Iaido. Iaido é muito específico e muito limitado. Você está vendo esse pessoal aí que está treinando de armadura?  Treinaram por muito tempo até chegar aí e poder utilizar essas vestes e equipamentos. E isso treinando três, quatro vezes por semana no mínimo.”

Além de ter praticado artes marciais japonesas por vários anos, eu também já havia trabalhado alguns outros bons anos numa multinacional japonesa, e então entendo perfeitamente que esta forma de agir é meio que tradicional da cultura japonesa, principalmente vindo de pessoas com mais idade.

Porém, minha pretensão não era me tornar um mestre, mesmo porque a dedicação que isto exigiria seria incompatível com minha disponibilidade de tempo (que por muitas vezes, sei muito bem eu, poderia ser um tanto quanto inconstante frente à minha realidade profissional) e minha vida pessoal, como pai de família. Junte-se a isto a questão da idade, vi que a expectativa não seria condizente com minha realidade. Me dedicaria com certeza sim, mas de acordo com o melhor que eu poderia fazer, para me sentir bem comigo mesmo e não para tentar atingir algo que eu mesmo não almejava.

Aproveitei o curto tempo que eu estive lá para dar uma olhada na aula de Kendô que estava em andamento. Senti uma certa “maldade” em alguns dos praticantes, querendo medir forças e se mostrar “melhor” que os outros.

Percepção errada ou não, o fato é que não me senti bem-vindo ou no mínimo à vontade naquele local.

Eu estava todo empolgado me preparando para “tirar a poeira” da minha katana e do meu hakama, quando recebo esse “balde de água fria na cabeça”.

Fiquei realmente desanimado.

Passado algum tempo, e meio que recuperado do “baque”, voltei novamente a procurar alguma alternativa. Não queria uma arte marcial muito voltada para contato e combate competitivo, tal como Jiu-Jitsu, Muay-Thai ou MMA. Apesar de admirar, elas não se encaixam muito no que eu estava procurando.

Foi então que mais uma vez com a ajuda da nossa “amiga” Internet acabei “descobrindo” (como se eu nunca tivesse ouvido falar… 🙂 ) o Kung-Fu, e por tabela, o Instituto Lohan.

No Lohan, foi totalmente diferente. No dia que eu compareci para participar da aula experimental, fui muito bem recebido, tanto pelos alunos quanto pelo instrutor (o Junior) que estavam no Instituto naquele momento. Apenas por este aparentemente “simples” fato, já me senti como “parte da casa”. Isso inclusive foi um dos pontos que lembro do Shifu ter comentado durante um dos treinos, da importância de se receber bem os novos alunos. Não precisa de muita coisa. Só o fato de alguém vir conversar, se mostrar interessado em suas perspectivas ou simplesmente cumprimentar, já faz uma grande diferença. No final da aula, o Shifu já havia chegado e tirou algumas dúvidas adicionais que eu tinha. Fiz a matrícula no mesmo dia.

É legal esse ponto do Lohan, onde o Shifu não dá nenhuma informação antes que o pretendente a aluno faça uma aula experimental. Como as percepções são pessoais, julgo ser isto muito importante, pois permite que a pessoa tire suas próprias conclusões e sinta se aquilo é realmente ou não o que ela espera.

Após estes poucos de meses de prática, devo confessar que algumas vezes tomei alguns “sustos” :-). As aulas são variadas. Às vezes se treina mais as formas, às vezes se dá mais ênfase a treinamento de “combate” ou com “sparring”. Às vezes os treinos são mais leves e às vezes mais pesados. Alguns pontos realmente me agradam, mas algumas vezes, outros nem tanto.

Principalmente no início, devido à algumas aulas, eu voltava para casa dolorido e com alguns hematomas. Na grande maioria das vezes, não especificamente por causa de um ou outro golpe mais forte (que eventualmente também ocorrem), mas sim por causa da repetição contínua de algum exercício ou forma.  Junte-se a isto a falta de prática e experiência, julgo ser um tanto quanto inevitável que tais fatos possam ocorrer eventualmente algumas vezes.

A aula experimental como já mencionei anteriormente, é, a meu ver, muito importe, mas uma percepção mais completa só será possível através de uma prática mais extensa e contínua. Nesta perspectiva, julgo que tive “sorte” com minha aula inicial experimental, pois o que foi treinado me agradou logo de cara. Talvez se eu tivesse tido o “azar” de ter participado de uma aula um pouco mais “pesada”, com ênfase mais no “combate” e/ou técnicas mais “contundentes” talvez minha percepção inicial, quem sabe equivocada, poderia ter sido outra.

De um modo geral, julgo que minha experiência no Instituto Lohan tem sido muito positiva. Além de ter me ajudado a sair do quadro depressivo, tenho me sentido muito mais disposto e principalmente satisfeito com os novos conhecimentos que tenho adquirido e que posso levar para além do Instituto e praticar no meu dia-a-dia.  

A vida não é feita apenas de flores e caminhos retos e planos, mas principalmente de muitas pedras e caminhos tortuosos pela jornada. Enfrentá-los, contorná-los ou simplesmente deixar-se levar, é decisão de cada um. São as intempéries da vida que te fazem crescer como indivíduo e tornar-se uma pessoa cada vez mais forte. Para mim, este é o verdadeiro significado do Kung-Fu.

Amituofo!

O início da prática

Minha chegada ao Instituto Lohan e ao Kung Fu tem início na internet. Assistia os vídeos explicativos, brincadeiras com os alunos e as apresentações que me encantavam. Imaginava o quanto seria legal poder treinar lá. Agendei uma aula para conhecer a escola, me apaixonei pela arte marcial e percebi a seriedade, respeito e tradição que tanto se busca no Kung Fu contemporâneo. Com o passar dos meses fui percebendo o treino físico e mental que o Kung Fu proporciona ao praticante. Ao passo que sentia meu corpo mais forte também percebia aos poucos uma mudança na intenção em realizar as coisas. Seja no salão de treino, seja na vida cotidiana. Percebi minhas prioridades e aprendi a não perder tempo e ainda assim não ter pressa com resultados. Alguns meses depois fui convidado a ajudar no Templo Lohan e treinar diretamente com o Shifu Luis Mello que juntamente aos alunos mais velhos me receberam e me ensinaram tanto. Neste momento já se aproximava a visita do Venerável Shideyang ao Brasil que foi em suma simplesmente inesquecível poder ter contato com o mestre de meu mestre.

Logo após sua partida se iniciaram as reformas nas salas internas do Templo. Foram muitos acontecimentos simultâneos que me fizeram perceber como os meses pareciam anos de aprendizado. Cada dia apresentava novos desafios e empreitadas que me orgulho de poder ter participado. 2016 começa e com ele o treino foi se intensificando, novas técnicas e conhecimentos me foram passados. Wing Chun, Shaolin, Hung Gar, seis dias na semana, quatro, as vezes seis horas de treino e o encanto aumentando cada vez mais. Quando percebi chegou a hora de separar as coisas e ir para a televisão ou para o palco do ano novo chinês me apresentar com aqueles que admirava alguns anos atrás. Foram muitas batalhas travadas, todas com sucesso ao lado de meus irmãos de treino.

Eis que chega 2017, e com ele uma grande responsabilidade, cuidar da escola e dar aulas ao lado do Shifu. Me senti honrado e procurei seguir e passar com o todo coração e verdade aquilo que aprendi nos anos anteriores. Dentre aulas, passeios, conversas, jantares, fomos nos estreitando e a relação de mestre, aluno e irmãos foi criando laços fortes nos quais hoje posso confiar.  Fico muito feliz de perceber tudo que aprendi e mais feliz ainda pois sei que ainda tenho muito que aprender com o vasto mundo da arte marcial chinesa. Espero receber novos praticantes assim como fui recebido. Agende uma aula e venha treinar!

Júnior Borbanogo