Chi Kung | Definição e Breve História | As Escolas de Qi Gong
Diferenças Técnicas | Hard Chi Kung
A escola terapêutica – Os registros chinesas mostram que até 2700 a.C. o Qi gong tinha se tornado um aspecto importante na medicina chinesa. O tipo mais antigo de Qi Gong provavelmente era uma espécie de dança meditativa que estimulava o equilíbrio de energia do corpo. Tal escola se baseou no tratado de medicina interna de Huang Di, o “Nei Jing Huang Di So Wen”, onde tal tratado descreve como o indivíduo pode se harmonizar com a natureza e seguir o rumo natural.
A escola Taoísta – Desde a dinastia Zhou, no séc.VI a .C., os eremitas taoístas, cujo interesse era a longevidade, contribuíram grandemente para a dimensão da saúde do Qi Gong. Entretanto, os tipos de Qi Gong que eles desemvolveram não se preocupavam tanto com a cura das doenças como a sua prevenção e a obtenção de uma vida longa. Seu objetivo principal era o desnvolvimento espiritual, atingir a unidade através do cosmos e o Qi gong era o caminho ideal. Tal escola destaca-se por técnicas de respiração profunda e exercícios de visualização e os praticantes de nível avançado frequente possúem habilidades paranormais.
A escola Budista – Mais tarde, o Budismo chega à China na dinastia Han (sec.I d .C.) trazendo a meditação que enriqueceu e infulenciou enormemente os princípios do Qi Gong. Os tipos de Qi Gong desenvolvem nos praticantes budistas capacidades paranormais, apesar de os monges acharem tais poderes um impecilho a sua prática. Tal escola foi amplamente difundida por Bodhidharma e seus conceitos e filosofias.
A escola Marcial – As artes marciais chinesas, sobre tudo o Kung fu Shaolin, atingiu um alto nível durante a dinastia Tang (sec.VII d.C.). Muitos mestres de Kung fu Fizeram uso do Qi Gong para aumentar suas habilidades de luta transformando o Qi Gong Marcial (Yin Qi Gong), em uma das mais conhecidas escolas de Qi Gong da China.
A escola Confucionista – Tal escola desenvolveu-se desde a dinastia Song (sec. X d .C) até os dias de hoje. Muitos estudiosos, artistas, cientistas, filósofos e outros grandes homens de cultura e saber praticaram e desenvolveram o Qi Gong para a saúde mental e a clareza dos pensamentos.
O Segredo da Flor de Ouro
in Wilhelm, R. O Segredo da Flor de Ouro. Petrópolis: Vozes, 1983. Datação do Texto: séc. VIII-IX d.C.(?): Re-impressão: Século XVIII.
Capítulo 1 – A Consciência Celeste (Coração)
Mestre LÜ DSU dizia: àquilo que é por si mesmo denominamos sentido (Tao). O sentido não tem nome, nem forma. É o ser uno, o espírito originário e único. Ser e vida não podem ser vistos, estão contidos na luz do céu. A luz do céu não pode ser vista, está contida nos dois olhos. Hoje serei vosso guia e revelar-vos-ei o Segredo da Flor de Ouro do Grande Uno; a partir daqui explicarei pormenorizadamente o que se segue.
O Grande Uno é a designação daquilo além do qual nada mais existe. O segredo da magia da vida consiste em utilizar a ação para chegar à não-ação; não podemos passar por cima de tudo, pretendendo penetrá-lo diretamente. O princípio tradicional é tomar nas mãos o trabalho com o ser. Através disto evitar-se-ão extravios.
A Flor de Ouro é a luz. Qual é a cor da luz? Tomemos a Flor de Ouro como analogia. Esta é a verdadeira força do Grande Uno transcendente. A palavra: “O chumbo da região da água tem somente um sabor” significa isto.
Comentário: “No Livro das Mutações lemos; “O céu gera a água mediante o Uno”. É esta a verdadeira força do Grande Uno. Ao alcançar este Uno, o homem é vivificado, e ao perdê-lo, morre. No entanto, apesar de o homem viver na força (ar, prana) , ele não vê a força (ar), da mesma forma que os peixes não vêem a água. O homem morre quando lhe falta o ar da vida, do mesmo modo que os peixes sem água perecem. Por isso, os adeptos ensinaram as pessoas a manter o originário e a preservar o uno, este é o movimento circular da luz e a preservação do centro. Quando se conserva esta força genuína, pode-se prolongar o seu tempo de vida e então utilizar o método de “fundir e misturar” a fim de criar um corpo imortal”.
O trabalho do movimento circular da luz é inteiramente baseado no movimento reversivo, para reunir os pensamentos (o lugar da consciência celeste, o coração celeste). O coração celeste fica entre o sol e a lua (isto é, entre os dois olhos).
O Livro do Castelo Amarelo diz: “No campo de uma polegada da casa de um pé pode-se ordenar a vida”. A casa que mede um pé é o rosto. O campo de uma polegada no rosto, o que poderia ser senão o coração celeste? Em meio à polegada quadrada mora a magnificência. Na sala purpúrea da cidade de jade mora o deus da vitalidade e do vazio extremos. Os confucionistas chamam-na: o centro do vazio; os budistas: o terraço da vitalidade; e os taoístas: a terra dos antepassados ou o castelo amarelo, ou ainda a passagem escura, ou espaço do céu primeiro. O coração celeste se assemelha à morada, a luz é o senhor da casa.
Por isso, assim como a luz segue um movimento circular, as forças do corpo inteiro se apresentam diante de seu trono, como quando um santo rei estabeleceu a capital e criou as leis básicas e todos os estados se aproximam com dádivas em tributo; ou como quando ao senhor tranqüilo e lúcido, servos e servas obedecem as ordens de bom grado, cada qual fazendo seu trabalho.
Por isso, necessitais apenas pôr a luz em movimento circular; este é o mais sublime e maravilhoso dos segredos. É fácil pôr a luz em movimento, o difícil é fixá-la. Quando permitimos que ela se mova em círculo suficientemente, então ela se cristaliza; este é o corpo-espírito natural. O espírito cristalizado forma-se além dos nove céus. Este é o estado do qual se diz no Livro do Selo do Coração: “Silenciosamente levantas vôo pela manhã”.





