Chi Kung | Definição e Breve História | As Escolas de Qi Gong
Diferenças Técnicas | Hard Chi Kung
Antes da utilização dos revólveres, os chineses dependiam muito do Kung Fu. Nessa época, cerca de 10% da nação chinesa desenvolvia essa prática, a qual se dedicavam de um modo diferente do que se faz atualmente. Primeiro era desenvolvida a energia vital fortalecendo os órgãos internos e membros com a veste de aço. Só depois aprimoravam-se nos estilos de luta porque sem energia interna as técnicas não eram efetivas em combate. Qi Gong , conhecido como “trabalho da energia vital”, era praticado pelos monges shaolin para desenvolver a saúde, prevenir e curar as doenças, condicionar o corpo fisicamente, controlar a mente e limpar o espírito. No contexto marcial, o Qi Gong gera força, controla a respiração, deixa o corpo imune a praticamente todos os ataques físicos e auxilia no desenvolvimento da milenar Palma de Ferro (Tie Zhang Gong).
A escola de Kung Fu “Song Shan Shaolin Szu” (Escola do Templo Shaolin de Song Shan) é definida como Wai Chia (Escola externa), principal e maior divisão do vasto universo do Kung Fu chinês. As escolas externas ou “duras” de artes marciais chinesas têm como característica central a prática de árduos exercícios físicos de fortalecimento que visam endurecer a estrutura corpórea do praticante e deixar seus golpes poderosos, “os punhos duros como o aço e seus corpos fortes como uma rocha”, diz um ditado Shaolin.
Todos os estilos de Kung Fu que se baseiam neste mesmo fundamento nasceram em Shaolin e originaram as diversas artes marciais orientais. Essa tradição provém das origens budistas do monastério, religião que exige dos seus praticantes grande disciplina e controle físico e emocional. Este pensamento foi refletido no método de luta desenvolvido pelos monges que lá viviam.
A situação política e cultural da época também foi importante para a criação de uma arte marcial voltada ao combate direto e real. As sucessivas e sangrentas guerras que acompanhavam as dinastias do Império Chinês fez com que os monges criassem estilos de luta que utilizaram nas grandes batalhas, além das técnicas aplicadas à proteção do monastério e na defesa pessoal dos monges andarilhos.
Esses conceitos somados às tradições herdadas de Bhodidharma (vigésimo oitavo patriarca do Budismo e criador do estilo Shaolin), que aplicava os exercícios marciais para a preservação da saúde e elevação espiritual, culminaram no que hoje é conhecido como “Sistemas Shaolin”. Suas infinitas variações originaram-se de uma única fonte. De acordo com registros históricos, as “18 formas das mãos de Lo Han” é a forma embrionária do sistema Shaolin.
Os elementos básicos envolvem o treinamento das mãos, dos olhos, do corpo e dos pés. Os movimentos são poderosos e indefensáveis, mas precisam ser flexíveis. “O lutador deve ser duro como aço e leve como algodão”, afirma o ditado.
Por ser um estilo “duro”, o calejamento do corpo deve ser praticado exaustivamente. Tais exercícios são denominados “Gongs” (trabalhos) e visam fortalecer o lutador das mais diversas maneiras, tanto para receber golpes como para aplicá-los.
As técnicas deste treinamento consistem em 36 exercícios externos e 36 exercícios internos. Elas formam as 72 mãos do combate Shaolin. Todos os exercícios estão estreitamente ligados ao Qigong (exercícios de controle da respiração), ramificando-se em diversas outras modalidades.
As diversas variantes de “Gongs”
- Jibengong – habilidades básicas
- Papagong – exercícios de repetição aeróbica, muscular e da energia interna (Xin Y Chuan)
- Badaigong – exercícios de batimento do corpo
- Tongzhigong – exercícios de resistência
- Pinhenggong – exercícios de equilíbrio
- Yiudaigong – exercícios do braço de ferro
- Tiezhang – exercícios da palma de ferro
- Tietougong – exercícios da cabeça
- Diaogong – exercícios do pescoço
- Yizhijing – exercícios dos dedos
- Huogong – exercícios de fogo Shaolin (manipulação do fogo)
- Bajingong – exercícios de puxadas
- Yingjiaogong – exercícios da garra de águia
- Quiangjinjao – exercícios dos chutes
- Quianjinzui – exercícios da virilha
- Qixigong – exercícios de manifestação consciente do CHI
- Budaigong – exercícios do abdômen
- Tizhuangong – exercícios de quebramentos
- Hamegong – exercícios de rastejamento
- Damuren – exercícios dos troncos de madeira
Veste de Ferro
Todos os exercícios citados acima procuravam deixar o monge guerreiro inexpugnável. Eles resultavam na famosa técnica “Tiin Siin” (veste de aço ou linha de ferro). A pessoa que dominava essa técnica ficava imune a golpes de mãos, bastões e alguns chegavam a resistir a golpes de lâminas. Alguns chegavam a possuir capacidades quase sobrenaturais, como por exemplo, matar com apenas um golpe, não se mover do solo quando atacado, ou ainda perfurar o tronco do adversário, chegando a arrancar suas vísceras. Tais fatos fizeram com que os inimigos dos monges e a população em geral, desprovida de qualquer tipo de conhecimento sobre Kung Fu (que era, na época, mantido em segredo), os denominassem de “monges demônios”.







