Budismo

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Os olhos de Buda

Budismo é uma filosofia de vida baseada integralmente nos profundos ensinamentos do Buda para todos os seres, que revela a verdadeira face da vida e do universo. Quando pregava, o Buda não pretendia converter as pessoas, mas iluminá-las. É uma filosofia de sabedoria, onde conhecimento e inteligência predominam. O Budismo trouxe paz interior, felicidade e harmonia a milhões de pessoas durante sua longa história de mais de 2.500 anos. O Budismo é uma filosofia prática, devotada a condicionar a mente inserida em seu cotidiano, de maneira a leva-la à paz, serenidade, alegria, sabedoria e liberdade perfeitas. Por ser uma maneira de viver que extrai os mais altos benefícios da vida, é freqüentemente chamado de “Budismo Shaolin”.

O Shaolin Kung Fu é descrito como um braço do Budismo Cha´n e o Budismo Terra Pura.

Cha´n (zen) e o Kung Fu são a única e a mesma coisa. O fundador do Budismo, Sidarta Gautama – Sharvatasida Gotami – foi um nobre príncipe guerreiro do clã Shakia, da kasta dos Kshastryas. Ele recebera os ensinamentos das escrituras dos melhores Brâmanes do reino e foi treinado como soldado nas artes marciais pelo guerreiro Shantideva.

Desenvolveu-se em lutas de agarramento, lutas de punho, esgrima, lança, equitação, domar elefante de guerra, arqueria e em 24 diferentes tipos de artes de combate. Mas o destino do rapaz era espiritual. Seu pai, Rei Sudhodana prevendo a inclinação do príncipe ao caminho do Dharma, criou um mundo maravilhoso a seu filho, com todas as regalias e prazeres.

Bodidarma

Isso não iludiu Sidharta, que no primeiro contato com o sofrimento do mundo decidiu ser um monge, abandonando as riquezas do palácio, família e vida mundana.

A via do Shaollin Kung Fu é a mesma que de Sidharta. Através do desenvolvimento marcial, adquirir uma mente clara e nobre, e um corpo saudável e forte, preparando-nos para o caminho da meditação.

Os praticantes do Shaolin procuram atingir o “Cha´n de Kung Fu”, ou seja, aprender as técnicas marciais sem fins egoístas. O objetivo dos budistas é a tranqüilidade psicológica. O objetivo do praticante de Shaolin é desenvolver a profunda calma mental usando o Kung fu como veículo.

午供釋迦牟尼佛 Monastério Fo Guang Shan

Conceitos Budistas básicos

As três marcas

Buddha caracterizou todos os fenômenos condicionados (sânsc. samskrita dharma, páli sankhate dhamma), ou seja, todas as coisas da existência cíclica (sânsc. e páli samsara), com três marcas ou selos (sânsc. trilakshana, páli tilakkhana): impermanência, sofrimento e não-eu.

  1. Impermanência (sânsc. anitya, páli aniccha)
  2. Sofrimento ou insatisfação (sânsc. duhkha, páli dukkha)
  3. Não-eu, não-ego, vazio, vacuidade ou insubstancialidade (sânsc. anatman, páli anatta)

As Quatro Nobres Verdades

  1. A nobre verdade do sofrimento (sânsc. duhkha, páli dukkha)
  2. A nobre verdade da causa (sânsc. e páli samudaya)
  3. A nobre verdade da cessação (sânsc. nirodha, páli nirodho)
  4. A nobre verdade do caminho (sânsc. marga, páli magga)

A Nobre Senda Óctupla

  1. Visão correta
  2. Intenção correta
  3. Fala correta
  4. Ação correta
  5. Meio de vida correto
  6. Esforço correto
  7. Atenção correta
  8. Concentração correta

Três treinamentos (sânsc. Trini-shikshani)

  1. Sabedoria (ou discernimento, insight, visão clara, sânsc. prajna, adhiprajna, páli panna, páli adhipanna)
  2. Ética (ou disciplina, moralidade, sânsc. shila, adhishila, páli sila, adhisila)
  3. Concentração (ou meditação, sânsc. e páli samadhi, adhisamadhi)

Cinco Preceitos (sânsc. pancha-shila, páli pancha-sila)

  1. Não matar;
  2. Não roubar;
  3. Não cometer adultério;
  4. Não mentir ou falar de maneira imprópria;
  5. Não usar substâncias que perturbem a mente (álcool, cigarro, drogas e semelhantes).

A Roda da Vida

  • Seres dos infernos (sânsc. naraka, nairayika);
  • Fantasmas famintos (ou espíritos carentes, sânsc. preta);
  • Animais (sânsc. tiryak, tiryagyona).

Na parte de cima, estão os três reinos superiores:

  • Deuses (sânsc. deva);
  • Semideuses (ou antideuses, deuses invejosos, demônios covardes, titãs, sânsc. asura);
  • Humanos (sânsc. manushya).
mandala de areia - treinamento do desapego

Vinte Regras Essenciais para a Comunidade Zen - Pai-chang

A comunidade Zen progride ao se despreocupar com as questões mundanas. O cultivo da prática torna-se sólido e seguro através da obediência ao Buddha.

A manutenção da disciplina é de importância máxima para o progresso. O jejum traz a cura para as doenças.

A aflição torna-se iluminação através da tolerância paciente ao insulto. A libertação vem quando não mais separamos a afirmação da negação.

A sinceridade autêntica é a verdadeira condição para a vida em comunidade. Dar o máximo de si traz sucesso para os afazeres.

A conversa deve restringir-se a um mínimo para que seja direta. A virtude progride quando o velho e o jovem têm compaixão um pelo outro, vivendo em harmonia.

A entrada para o saber se faz através do estudo diligente. A ausência de culpas advém da compreensão clara de causa e efeito.

A velhice e a morte nos avisam da transitoriedade, alertando-nos. As atividades budistas tornam-se reais através de um espírito puro impecável.

Lidar com visitantes torna-se uma oferenda através da verdadeira sinceridade. O templo Zen é adornado por seus veteranos.

Todos os assuntos devem ser planejados com antecedência, para que não se tornem laboriosos. A atitude adequada para a vida comunitária é humildade e respeito.

A capacidade de concentração possibilita à pessoa enfrentar o perigo sem ficar confusa. A compaixão é a base para ajudar todos os seres

Templo Quan In do Brasil

Levantai-vos (da ociosidade) sentai-vos (em meditação).

Para que vos hão de servir os sonhos? Que sono existe para os aflitos,

Varados, feridos por uma ponta?

Levantai-vos, erguei-vos.

 

Exercitai-vos depressa na tranqüilidade;

Que o rei da morte não vos encontre no orgulho, nem faça de vós papalvos e súditos.

Os desígnios pelos quais

Devas e homens permanecem ligados,

Passai por cima de tôdas as suas redes. Não deixai passar o “instante”,

Pois o “instante” frustrado, nós o lamentamos,

Encerrados no inferno Niraya.

A ociosidade é apenas poeira;

o gôsto da ociosidade é poeira; pelo zêlo, pelo saber,

Retirai o aguilhão do eu.

Este “instante” é o Eterno Agora

Pois bem, cabe a ti afligir-te

Dhotaka (respondeu o Senhor),

Se tu és aqui prudente, atento,

Uma vez que aqui mesmo aprendes o que é isto, prepara-te para o nirvâna do eu.

Sidarta Gautama
Shakiamuny Buddha

Mestre Shin Tin no Templo Zulai

…Portanto o homem bom é o instrutor do mau.
E o mau homem é uma lição para o bom.
Aquele que não valoriza seu mestre
Nem ama as suas lições
Desviou-se muito
E precisa ser reconduzido.
— Tal é o sutil segredo.

A leitura de sutras no Instituto Lohan

                           As Cinco Lembranças

“Eu pertenço à natureza do envelhecimento; não há nenhum modo de escapar do envelhecimento.”
“Eu pertenço à natureza das doenças; não há nenhum modo de escapar de sofrer alguma doença. “
“Eu pertenço à natureza da morte; não há nenhum modo de escapar da morte.”
“Tudo aquilo que me é querido e todos que amo pertencem à natureza da impermanência. Não há nenhum modo de evitar me separar deles algum dia.”
“Minhas ações são meus únicos verdadeiros pertences. Eu não posso escapar às conseqüências de minhas ações. Minhas ações são o solo sobre o qual eu piso.”

Sidarta Gautama

buda

A VIDA DE BUDA

 “Reduz à humildade as idéias insensatez da tua vontade, e empenha-te em subjugar a besta cruel. Estás preso à vontade; esforça-te em desatar êste laço que não poderia ser rompido. Tua vontade é tua Eva”.

S. BOAVENTURA, De Conversione.

 A história da vida de Buda é bastante conhecida, de modo que nos bastará resumi-Ia aqui rapidamente: os oitenta anos de sua vida abrangem a maior parte do século V a. C., mas as datas exatas de seu nascimento e sua morte são incertas. O príncipe Sidharta, filho único do rei Suddhodana do clã dos Sãkiya, e de sua espôsa Mahâ Mãyã, nasceu em Kapilavatthu, capital de Kosala, país que se estendia do Nepal medional até ao Ganges. Quando falamos do rei (raja), é preciso não esquecer que a maioria dos “reinos” do vale do Ganges nessa época eram na realidade repúblicas presididas pelos “reis” em questão; o processo seguido nos concílios de monges budistas foi análogo ao das assembleias republicanas e ao das corporações e conselhos de províncias.

Portões do Templo Kinkaku Ji do Brasil

Até o momento de Grande Despertar, Siddharta não passava ainda de um bodhistta, embora essa existência fôsse a última de inúmeros renascimentos no curso dos quais êle amadureceu as supremas virtudes e a sagacidade que conduzem à perfeição. Tornando-se Buda, o “Desperto”, é às vêzes designado pelo seu nome de família, Gotama ou Gautama, o que o distingue dos sete (ou dos vinte e quatro) Budas anteriores dos quais era mais precisamente o descendente em linha reta. Vários dos epítetos de Buda o ligam ao Solou ao Fogo e subentendem sua natureza divina; êle é, por exemplo, “o Olho do Mundo”; seu nome é “Verdade”, e entre os sinônimos mais significativos da palavra Buda (o “Desperto”) temos as expressões “o que se tornou Brahma”, “o que se tomou Dhamma”. Diversos trechos de sua vida são a repetição direta de mitos anteriores. Por isso somos levados a perguntar-nos se a “vida” do “Vencedor da Morte”, do “Mestre da sabedoria dos deuses e dos homens”, que declara ter nascido e sido educado no mundo de Brahma, e ter descido do céu para nascer das entranhas de Marã May, pode ser considerado como histórico, ou se não é antes mítico, onde as naturezas e os altos feitos das deidades védicas Agni e Indra se encontram “evhemerisadas” de modo mais ou menos natural. Não possuímos extratos contemporâneos; mas no século III a. C. certamente acreditava-se que Buda tinha vivido como homem entre os homens. É um enigma que não podemos discutir aqui; embora o autor se incline a dar sua preferência à interpretação mítica, falaremos de Buda como se fôsse uma personagem histórica.

A pratica da meditação no Templo Enko Ji

O príncipe Siddharta foi educado na opulência da côrte de Kapilavatthu; foi mantido na completa ignorância da velhice, da doença e da morte às quais todos os sêres dêste mundo estão submetidos por natureza. Casaram-no com sua prima Yasodã, que lhe deu um único filho Rãhula. Foi pouco depois do nascimento de Rãhula que os deuses acharam que chegara a horaem que Siddhartadevia “sair” e empreender a missão para a qual se preparara durante tantos nascimentos anteriores, momentaneamente esquecidos por êle. Tinham-se dado ordens: logo que êle atravessasse a cidade para se dirigir do palácio ao parque de recreio, nenhum velho, nenhum doente, nenhum cortejo fúnebre, devia aparecer nas ruas. Assim propunham os homens; mas os deuses apareceram servindo-se das formas de um doente, de um velho, de um cadáver, e de um monge-mendicante (bhikhu). Quando Siddharta viu êstes espetáculos, inteiramente novos para êle, e aprendeu pelo seu cocheiro Channa, que todos os homens estão sujeitos à doença, à velhice e à morte, e que somente o religioso-mendicante se eleva acima desta dor que o sofrimento e a morte causam a todos os outros sêres humanos, ficou profundamente abalado. Tentou logo procurar remédio a esta qualidade mortal que é inerente a todos os compostos, a tudo o que teve um comêço e que deverá ter, conseqüentemente, um fim. Em outras palavras, dispôs-se a descobrir o segrêdo da imortalidade e dá-Io a conhecer ao mundo.

 

Regressando ao palácio, informou ao pai de sua disposição. Como o rei não o pudesse dissuadir, tentou reter à fôrça seu filho e herdeiro, colocando guarda em tôdas as portas do palácio. Mas uma noite, após ter lançado um último olhar à sua espôsa e ao seu filho, que dormiam, Siddharta chamou seu cocheiro e, montando seu cavalo Kanthaka, aproximou-se das portas, que os deuses lhe abriram sem ruído; conseguiu fugir. Era a “Grande Partida”.

Alunos Lohan numa cerimônia de noviço

Nos recessos das florestas o príncipe despojou-se de seu turbante real e de sua longa cabeleira, que não convinham a um religioso-mendicante, e mandou de volta seu cocheiro. Encontrou-se com eremitas brâmanes e, sob a direção dêles, dedicou-se à vida contemplativa. Depois êle os deixou para se consagrar sozinho ao “Grande Esfôrço”; ao mesmo tempo um grupo de cinco monges-mendicantes tornaram-se seus discípulos e entraram a seu serviço na idéia de que êle se tornaria um Buda. Nesse intuito êle praticou mortificações muito mais severas e pouco faltou para que se deixasse morrer de fome. Mas compreendendo que o enfraquecimento do corpo e das faculdades espirituais não o conduziria ao Despertar (bodhi) pelo qual renunciara à vida mundana, retomou sua tigela de esmolas e foi mendigar alimento nas aldeias e cidades como os outros religiosos; vendo isto, seus cinco discípulos o abandonaram

Mas chegara a hora do Despertar e pelos sonhos que tivera o Bodhisatta pôde concluir: “Hoje mesmo me tornarei um Buda”. Comeu de uma comida em que os deuses tinham misturado sua ambrosia, e descansou durante o dia. Ao anoitecer aproximou-se da árvore de Bodhi, e ali no centro da terra, o rosto voltado para o oriente, sentou-se no mesmo lugar em que todos os Budas anteriores se sentaram no momento de sua Iluminação; imóvel, resolveu não se mover antes de ter realizado seu desígnio.

Pintura budista nas paredes do Templo Quan In

Então Mãra (a Morte), o ancião Ahi-Vrtra-Namuci dos Vedas, “o de firmeza inabalável”, vencido outrora por Agni- Brhaspiti e por Indra, mas jamais morto, observando que “o Bodhisatta quer se libertar do meu poder” e resolvido a não o deixar escapar, dirigiu suas hostes contra êle. Os deuses, atemorizados, fugiram; o Bodhisatta ficou só, sem outra defesa do corpo que a de suas virtudes. O assalto de Mãra, pelas armas do trovão e do relâmpago, das trevas, da água e do fogo, e de tôdas as tentações oferecidas pelas três beldades que são as filhas de Mãra, deixou o Bodhisatta impassível e impávido. Mara, não podendo reconquistar o trono que pretendia, foi forçado a retirar-se. Os deuses voltaram e celebraram a vitória do príncipe; a noite desceu nesse ínterim.

 

Penetrando em planos de contemplação cada vez mais profundos, o Bodhisatta obteve sucessivamente o conhecimento de suas vidas anteriores. a Sagacidade divina, a compreensão das origens pelas causas. e finalmente, pela madrugada. a plena Iluminação, o Grande Despertar (mahã-sambodhi) que buscava. Já não é mais um Bodhisatta; tornou-se um Buda. um “Desperto”. Um Buda não mais participa de uma categoria; não pode ser comparado com qualquer outro ser; não é mais chamado por um nome; não é mais uma pessoa, é um ser que seria vão querer conhecer pelo nome próprio, e ao qual só poderiam convir epítetos tais como Arahant (“Digno”),Tathãgata (“o que veio autênticamente”), Bhagavã (“Dispensador”), Mahãpurisa (“Grande Cidadão”), Saccãnama (“aquele cujo nome é Verdade”), Anoma (“Insondável”), dos quais nenhum designa um indivíduo. Os sinônimos “O Que Se Tomou Dhamma”, e “O Que Se Tornou Brahma” devem ser observados particularmente, pois Buda se identifica expressamente com a Lei Eterna (dhamma) que personifica; e a expressão “O Que Se Tomou Brahma” deve ser considerada como equivalente a uma apoteose absoluta, bastando para isso o fato de que Buda tinha sido um Brahmã e mesmo Mahã Brahma já durante vidas anteriores, e que de qualquer maneira a gnose de um Brahmã é inferior à de um Buda. Aqui mesmo, neste mesmo instante, neste mundo, Buda tinha atingido essa libertação (vimutti), esta Extição (nibbãna = sânscrito nirvana) e essa Imortalidade (amatam) da qual êle iria daí por diante revelar o Caminho a tôda a humanidade.

Santuario

Nesse momento êle hesitou, sabendo que a Lei Eterna da qual se tomara o depositário, e à qual se identificava, seria difícil de compreender para os homens voltados para o mundo; foi tentado a permanecer um Buda solitário, guardando somente para si o fruto penosamente adquirido por uma busca que já empreendia há miríades de anos e cujo têrmo finalmente atingira. Se quisermos ter uma idéia do Nibbãna budista, é quase indispensável compreender a qualidade dêsse “gôzo”: é a suprema beatitude daquele que rejeitou a noção “eu sou”; daquele “que se renunciou totalmente” e que assim “depôs o seu fardo”. Foi essa a última e a mais sutil tentação que lhe infligiu Mãra: que seria loucura abandonar essa felicidade penosamente adquirida, e regressar à. vida ordinária para pregar o Caminho a uma humanidade que não queria nem ouvi-lo nem compreendê-Io.

Mas diante da hesitação de Buda, os deuses ficaram desesperados: o mais elevado de todos, Brahmá Sahampati, surgiu diante dêle, deplorando que “o Mundo se perdesse” e invocando o fato que havia no mundo alguns sêres ao menos de visão suficientemente clara para escutar e entender seu ensinamento. Pelo amor dêsses, Buda consentiu, declarou “abertas as Portas da Imortalidade”. Dispôs-se então a consagrar os quarenta e cinco anos que lhe restavam de vida neste mundo a “fazer girar a Roda da Lei”, isto é, a pregar a verdade libertadora, o Caminho que é necessário seguir para atingir o fim último, a significação da existência, a “finalidade derradeira da humanidade”.

Ensinamentos no Instituto Lohan

Buda encaminhou-se primeiro ao Parque das Gazelas, em Benares, junto dos cinco que tinham sido seus primeiros discípluos. Ele lhes pregou a doutrina do Caminho do meio, entre os dois extremos do hedonismo e da mortificação; a doutrina da submissão ao sofrimento, inerente a todos os sêres nascidos e que é necessário extirpar a causa – isto é, o desejo apetitivo (baseado na ignorância da natureza verdadeira de tôdas as coisas desejáveis) – para curar os sintomas; e a doutrina do “caminhar com Brahma” que leva ao fim de todo o sofrimento. E enfim êle lhes ensinou a doutrina da libertação que resulta de uma compreensão perfeita, da experiência vivida desta proposição: de cada uma e de tôdas as partes componentes desta individualidade psicofísica sempre mutável que os homens chamam seu Eu, seu Ego, é preciso dizer “Isto não é meu Eu” (na me so attã) – proposição que, apesar do rigor lógico de seus têrmos, tem sido freqüentemente mal compreendida, como se ela implicasse que “não existe o Eu”.

Os cinco monges-medicantes atingiram a iluminação, e já haveria daí por diante seis Arahants neste mundo. Quando o número de Arahants “libertos de todos os laços humanos ou divinos” se elevou a sessenta e um, Buda enviou-os a pregar a Lei Eterna e o Caminhar com Brahma; êle lhes deu plenos podêres para receber e ordenar outros; assim nasceu a Comunidade (sangh), a Ordem dos Mendicantes budistas, composta de homens que tinham abandonadoa vida de família e “tornado refúgio em Buda, a Lei Eterna, e a Comunidade”.

Monge Shaolin, Sifu Luis Mello e seu alunos, Francisco

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